Rumo aos 160K segundo Arthur Lydiard – Fim da Fase 1

Resultados Fase 1 Treino Arthur Lydiard

A participação na edição 2020 da Maratona de Sevilha pôs um ponto final na primeira fase do meu actual plano de treinos. Ainda que o resultado na maratona não tenha sido o desejado, nada mudou. O plano previamente elaborado mantém-se e, após estes dias de recuperação da distância mítica, dentro de pouco tempo avançarei para a segunda fase do plano de trabalhos de Arthur Lydiard.

Porém, antes de apresentar a fase 2 aqui no Vida de Maratonista, e a maneira como a vou pôr em práctica, tinha de escrever este artigo. Um texto que resume as últimas semanas de trabalho desta primeira fase e faz um balanço da mesma.

 

Competir e treinar com intensidade dá mau resultado!

Desde a última actualização a esta rubrica (8 de janeiro de 2020) que o “rumo aos 160K” perdeu o sentido. A minha curta experiência no atletismo, a par dos conselhos de pessoas que andam nisto há muitos anos, indicam que competir e treinar com intensidade não traz bons resultados. Como tal, com o aproximar da maratona, participei em várias provas com vista a ganhar ritmo competitivo e privilegiei a recuperação, antes e depois das mesmas. Consequência? O número de quilómetros semanal baixou significativamente.

De facto, com excepção da semana da Meia Maratona de Viana do Castelo, na recta final desta fase 1 nunca ultrapassei os 100K semanais:

  • 5 Janeiro 2020 – 11 Janeiro 2020: 119.79K
  • 12 Janeiro 2020 – 18 Janeiro 2020: 87.61K
  • 19 Janeiro 2020 – 25 Janeiro 2020: 124.48K
  • 26 Janeiro 2020 – 1 Fevereiro 2020: 90.65K
  • 2 Fevereiro 2020 – 8 Fevereiro 2020: 95.38K
  • 9 Fevereiro 2020 – 15 Fevereiro 2020: 96.21K
  • 16 Fevereiro 2020 – 22 Fevereiro 2020: 69.35K
  • 23 Fevereiro 2020 (Dia da XXXVI Maratona de Sevilha)

 

Treinos longos? Depois das provas importantes!

Com o aproximar da maratona, tive de fazer uma escolha. Apostar nas provas e sacrificar os treinos longos para a maratona, ou vice-versa. Decisão? Não hesitei em privilegiar as provas. Por dois motivos. Primeiro, porque precisava de bons resultados competitivos para chegar com força psicológica e confiança à maratona. Assim foi! Segundo, entendi que esta fase 1, em vigor desde Agosto (cerca de 7 meses de trabalho), já me tinha colocado no patamar desejado para correr uma prova tão longa como a maratona dentro do objectivo traçado.

Desta forma, com a decisão tomada, protegi as provas importantes para mim, nomeadamente: XXII Meia Maratona de Viana do Castelo e o 37º GP Atletismo ACD “Os Ílhavos”. Após o dia 7 de janeiro, realizei apenas 2 treinos com tempo igual ou superior a duas horas. Ambos efectuados após 3 ou 4 dias da participação nestas provas. Hoje, julgo que a decisão foi acertada, pelo que o mais provável será repeti-la em dilemas futuros semelhantes.

 

Balanço final desta fase 1? Positivo!

Não posso dizer “muito positivo” pelo fiasco na Maratona de Sevilha que, estou convencido, nada teve a ver com o treino. A distância mítica era a minha grande meta, mas a verdade é que o caminho foi muito proveitoso. Primeiro em Ovar, e depois em Viana do Castelo, consegui recordes pessoais na distância da meia-maratona. Pelo meio, nas participações em provas com cerca de 10K, se em algumas consegui superar registos anteriores no mesmo percurso, noutras cheguei a ritmos médios que roçam os meus melhores nesta distância.

Em suma, triste pela maratona, mas feliz e orgulhoso de um modo geral. Quer pelos restantes resultados, quer por todo o trabalho desenvolvido, desde o planeamento à práctica.

 

Analisar um plano para lá dos resultados

Ora, para quem está de fora, os resultados são sempre o aspecto mais importante na avaliação de um plano. Possivelmente, até mesmo o único para se fazer um juízo e equacionar colocá-lo em práctica. No entanto, quem está por dentro, há muitos outros factores a ter em conta. As sensações e as várias dificuldades (corpo, mente, trajecto, clima) têm de ser todas colocadas na balança, caso haja intenção de se afinar para melhor o trabalho desenvolvido.

Com base nesta ideia, a mim importa-me cada vez mais perceber o que estou a fazer e porque o estou a fazer. Por outras palavras, seguir a metodologia de Arthur Lydiard é apenas o ponto de partida para algo que, aos poucos e poucos, pretendo transformar no “meu” verdadeiro plano. Sem dúvida que, da próxima vez que voltar a esta fase 1, pequenos ajustes serão feitos. Naturalmente, também com os resultados da evolução, ou falta dela, em consideração.

 

As principais dificuldades da fase 1

De uma perspectiva geral e não pessoal, identifico duas grandes dificuldades nesta primeira fase:

  • o tempo disponível para se pôr em práctica uma sucessão de treinos longos num curto espaço de dias;
  • a saturação que, paulatinamente, se vai acumulando e dá de si ao fim de alguns meses por se estar sempre a repetir os mesmos treinos;

Independentemente do regime de trabalho incluir treinos bidiários ou não, grande parte das actividades desta fase obrigam a uma desconexão prolongada (o que tem a sua parte boa!), dos restantes ofícios das nossas vidas. Como tal, exige-se mesmo vontade para se chegar tarde a casa, ou acordar de madrugada, em casos de inflexibilidade de horário. Para lá disto, a técnica de corrida exercícios de força, entre outros, não devem ser descorados, pelo que juntar estas componentes aos treinos longos pode por vezes ser muito complicado.

Em relação à saturação, esta será mais sentida por aqueles que treinam sozinhos. Executar o mesmo treino em vários dias seguidos torna-se muito monótono, ao fim de algum tempo, por muito que se goste de treinos longos. Desta feita, é importante ter companhia ou ir alterando os percursos para haver algum tipo de distracção/foco em algo diferente da rotina.

 

A vantagem dos percursos selectivos

Por fim, e fazendo a ligação com o parágrafo anterior, quero destacar a importância dos treinos longos em percursos de sobe e desce. Para além das suas vantagens em termos de treino físico, eles são um excelente recurso no combate à monotonia já mencionada. A razão é muito simples. Estes percursos mantém-nos focados! À superação de cada dificuldade, damos por nós a pensar na escalada seguinte ou na descida que vamos poder desfrutar. Enquanto nos preocupamos ou animamos com isso, não nos aborrecemos.

Além disso, se num percurso plano é suposto o ritmo não sofrer grandes oscilações, nestas situação de maior dificuldade tem de haver uma gestão do esforço. Isto é, subir a um ritmo e descer a outro completamente diferente, o que também nos obrigada a estar atentos às dificuldades pelas quais o corpo está a passar e discernir se estas são exageradas em relação ao nível de esforço estipulado para o treino.

Posto isto, seguimos viagem para as montanhas, onde acontecerá a fase 2. Vemo-nos lá 🙂

 

Imagem de Capa do Artigo: Pexels do Pixabay

 

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.

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