Rumo aos 160K segundo Arthur Lydiard: Parte 3

Rumo aos 160K segundo Arthur Lydiard: Parte 3

Este terceiro artigo da rubrica “Nas  pegadas de Arthur Lydiard – Rumo aos 160K” assinala um momento de reflexão muito importante sobre a jornada. Ultrapassada a placa dos 125K semanais, que fazer? Continuar a subir no patamar dos quilómetros? Intensificar os ritmos de treino? Ou progredir em ambas as situações? As respostas chegam no final deste artigo, com base nas ideias e resultados apresentados já de seguida.

Até à publicação anterior sobre esta aventura, tinha 118.46K como número máximo de quilómetros acumulados numa semana. Um número que, importa dizer, foi conseguido em cerca de 8 horas e 1 minuto de treino. Seguiu-se uma presença feliz na 31ª Meia Maratona “Cidade de Ovar”, que obrigou a uma redução do esforço para deixar o corpo recuperar e assimilar os estímulos da competição. Ou seja, este trabalho só voltou a ser constante a 17 de outubro.

 

Resultados alcançados e contas feitas

Dessa data para cá, houve novo incrementar do total semanal de quilómetros, com os últimos dias a apresentarem os seguintes valores:

  • 27/Outubro: 110 Minutos; 26.53K; 4:10/KM; Percurso Ondulado;
  • 28/Outubro: 60 Minutos; 14.18K; 4:16/KM; Percurso Ondulado;
  • 29/Outubro: 60 Minutos; 15.21K; 3:59/KM; Percurso Ondulado;
  • 30/Outubro: 80 Minutos; 19.45K; 4:09/KM; Percurso Sobe e Desce;
  • 31/Outubro: 65 Minutos; 16.01K; 4:05/KM; Percurso Sobe e Desce;
  • 01/Novembro: 81 Minutos; 20.07K; 4:03/KM; Percurso Plano;
  • 02/Novembro: 60 Minutos; 16.35K; 3:42/KM; Percurso Plano;
  • 03/Novembro: 120 Minutos; 30.45K; 3:57/KM; Percurso Plano;

 

Como o total da semana é contabilizado de domingo a sábado, o meu “máximo oficial” desde que iniciei esta aventura é agora de 127.80K, resultantes de 8 horas e 40 minutos de trabalho. No entanto, se quiser o “máximo real”, devo contabilizar antes desde o último sábado até este domingo. Desta perspectiva, e porque o treino mais longo da semana foi feito em percurso plano e não no ondulado acentuado que se verificou no fim de semana anterior, posso dizer que o novo máximo é 131.72K, em cerca de 8 horas e 50 minutos de treino.

Se fizer a divisão desta minha quilometragem mais alta pelo tempo despendido (131.72K / 8h50min), obtenho um ritmo médio semanal de 4’01/KM. Ou seja, para chegar aos 160K, por esta altura, precisaria de 10 horas e 43 minutos de trabalho, distribuídos pelos 7 treinos diários.

No entanto, não posso esquecer que as 100 milhas (160K) apontadas por Arthur Lydiard são apenas uma orientação. Não importa chegar lá numa semana e depois não dar seguimento, nem é recomendável chegar lá à custa da “destruição” do corpo durante 4 ou 5 dias seguidos apenas para dizer que se chegou. O objetivo é ir subindo os patamares de forma consistente, absorver os estímulos e adquirir conforto. Portanto, quem tem a chave para o sucesso dos próximos dias são as respostas do passado recente.

 

As sensações das últimas semanas

Com contentamento, posso dizer que tenho cumprido com os ritmos estipulados dos treinos. Uns com clara distinção, outros com maior controlo, resultado de sentir um maior desgaste. Porém, em ambos os casos tenho tido boas respostas da “máquina”, quer durante o treino, quer no pós. Mesmo nos dias em que o corpo demora mais a aquecer e está mais “moído” pelo desgaste dos membros e do elevado número de impactos com o solo, depois de engrenar a “mudança”, a intensidade por ali se mantém e não costuma voltar a descer, salvo quando eu quero fazer uma gestão mais controlada, já a pensar nos dias seguintes. Momentos que tento aproveitar ao máximo para correr o mais relaxado possível.

O mesmo se verifica no pós treino! Por exemplo, costumo acompanhar o treino mais longo da semana com exercícios de técnica de corrida no final. Depois de tanto tempo na estrada, o expectável era fazê-los com grande sacrifício. A norma tem sido contrária a este sentimento, pois 5 minutos de recuperação são suficientes para sentir o corpo com capacidade suficiente para fazer este trabalho extra.

 

Mais competição precisa-se!

Indiretamente, este ponto responde à questão do aumento da quilometragem nas próximas semanas. Não, provavelmente isso não vai acontecer. Até ao final do mês, vou tentar meter duas provas no calendário que me vão obrigar a recuperar minimamente para elas, quer no antes, quer no depois.

Primeiro, uma competição mais curta, a fim de fazer um teste de avaliação à minha condição atual anaeróbica. Como não tenho treinado esta minha capacidade de forma direta, sinto a necessidade de fazer um teste mais sério para saber em que ponto me encontro. Segundo, se possível, tentarei fazer mais uma meia-maratona, quer para o mesmo efeito, quer para tirar mais um registo com vista a ir afinando o objetivo para a Maratona de Sevilha do próximo ano.

Note-se que Arthur Lydiard não recomenda a inclusão de muitas provas nesta primeira fase da sua metodologia. Todavia, importa-me ter novos registos competitivos. Além disso, ao não estar a competir em fins de semana consecutivos, sinto apenas que estou a abrandar o trabalho desenvolvido até agora, mas não a comprometê-lo.

 

Conclusão da reflexão

Resumindo, a competição irá obrigar a uma redução no total de quilómetros, mas logo que possível voltarei a incrementar o tempo de trabalho. Prioridade para o treino mais longo da semana, que apesar deste seu estatuto é o que tem mais margem para crescer (ainda nem ultrapassou as 2 horas!).

Ao mesmo tempo, tentarei também consolidar uma relação de 3 para 4 no que diz respeito aos percursos dos treinos (plano vs ondulado). Andar vários dias seguidos no “carrossel” não me parece a melhor decisão. Os músculos queixam-se com mais frequência dos impactos das descidas e ficam “moídos” mais depressa com tantas subidas consecutivas, algumas bem acentuadas.

Por último, dadas as boas sensações manifestadas até agora, e com a absorção de mais algum ritmo competitivo em marcha, vejo reunidas as condições necessárias para, a partir da próxima semana, voltar a atualizar os intervalos de ritmos estipulados para cada treino. Se é verdade que o mais rápido da semana tem ficado algo perto do limite mais lento (3:46/KM), também é verdade que tenho cumprido com a regra fundamental desta fase: não terminar nenhum treino “completamente de rastos”!

Bons treinos e boas corridas 🙂

 

Imagem de capa do artigo de waldryano do Pixabay

 

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.