Maratona de Berlim: prova de recordes do mundo!

Veteranos? Eles continuam a andar que se fartam!

Faltam menos de 2 dias para a 46ª edição da Maratona de Berlim. Uma prova que mantém o seu principal patrocinador dos últimos anos, a BMW, mas que desta vez não conta com o atleta que mais consagrou nos últimos anos: Eliud Kipchoge.

Sensivelmente um ano após ter estabelecido uma nova marca mundial na distância, Kipchoge “trocou” a presença em Berlim pelo projeto 1:59 INEOS. Este último, com realização agendada para meados de outubro no país vizinho (Áustria), visa mais um grande feito histórico, ainda que o mesmo não venha a ser homologado.

Apesar da ausência do maratonista do momento, Berlim não perde o estatuto de cidade dos recordes do mundo. Kipchoge venceu 3 das últimas 4 edições da prova, mas só no ano passado estabeleceu um novo recorde na distância. No entanto, os números são bem claros. Nos últimos 16 anos, o recorde do mundo da maratona caiu por 7 vezes! Onde? Em Berlim. Sempre!

 

Maratona de Berlim – A prova ideal para um recorde pessoal

Nos homens, desde 2003 para cá que a marca oficial da distância foi melhorada por 7 vezes e sempre na Maratona de Berlim. Para quem pensa em bater o seu recorde pessoal na distância, esta prova é claramente uma aposta de grande valor.

Olhando agora aos recordes mundiais, podemos começar por fazer uma divisão entre Quénia e Etiópia. Em representação do Quénia, Paul Tergat (2003), Patrick Musyoki (2011), Wilson Kipsang (2013), Dennis Kimetto (2014) e o já mencionado Eliud Kipchoge (2018) ocupam 5 desses 7 lugares. Já a Etiópia intromete-se pelo inevitável Haile Gebrselassie. O etíope estabeleceu novas marcas em 2007 e 2008, mas importa  também referenciar que Haile venceu a prova por 4 vezes (entre 2006  e 2009), sendo o atleta com mais vitórias na prova.

Ainda com um olho sobre esta parte da história, salta a vista a vitória de António Pinto, em 1994, com registo de 02:08:31. Mas não é tudo! Lembram-se da minha investigação sobre a altitude e os colombianos? Eles escreveram o nome da nação nesta prova por intermédio de Domingo Tibaduiza, que precisou de 2 horas 14 minutos e 47 segundos para vencer a nona edição do evento (setembro de 1982).

 

Berlim também com história na prova das mulheres

Em relação à contenda feminina, Berlim não tem suscitado muitas atualizações na marca mundial. Nas mulheres, um novo recorde foi alcançado apenas por 3 vezes na prova da capital alemã. O último foi em 2001, quando a japonesa Naoko Takahashi percorreu a distância em 2 horas 19 minutos e 46 segundos.

 

A complexidade do recorde mundial feminino na maratona

Contudo, o debate dos recordes é bem mais complexo neste panorama, devendo ser analisado muito além de Berlim.

Antes de mais, é preciso ter em conta que existem dois recordes. O primeiro é da britânica Paula Radcliffe, registado em 2:15:25 no ano 2003. O segundo é da queniana Mary Jepkosgei Keitany, estabelecido em 2017, que marca 02:17:01.

Ora, esta “confusão” instalou-se quando a IAAF decidiu fazer uma separação nos registos femininos consoante as mulheres corriam juntamente com os homens ou em separado (partidas diferentes). Um assunto muito discutível, visto que os homens têm muitas vezes as melhores lebres ao seu dispor para um possível recorde.

Por esta altura, a IAAF aguarda que uma mulher supere o recorde das 2:15:25 de Paula Radcliffe, sem ajuda da elite masculina, para voltar a resumir isto a uma só marca. Uma tarefa muito complicada, olhando ao “tempo-canhão” da britânica. De lembrar que Paula Radcliffe também teve o recorde mundial a solo na sua posse desde 2005 até 2017 (02:17:42), altura em que Keitany superou o seu registo. Estas marcas das duas atletas foram estabelecidas em Londres.

 

Maratona de Berlim: prova de recordes do mundo

Foto: Dirk Ingo Franke

 

Novo recorde mundial nesta edição de 2019?

No caso da Maratona de Berlim, como a partida de homens e mulheres é conjunta, a atleta vencedora tem que superar as 2:15:25 de Radcliffe para alcançar a “melhor marca mundial”. Nunca um recorde do mundo ratificado pela IAAF.

Sobre este assunto, resta concluir que a ausência de uma nova marca mundial nos últimos anos é mérito de Paula Radcliffe. Seja no registo a solo, cujo tempo da britânica só caiu em 2017, seja no registo de partida combinada com os homens, cuja marca parece inalcançável.

No entanto, pode surgir a quarta vitória de Gladys Cherono (Quénia), que no último ano estabeleceu um novo recorde do percurso: 02:18:11.

Sem qualquer esperança nas mulheres, nos homens também parece pouco provável um novo recorde. Kenenisa Bekele, vencedor da prova em 2016 (02:03:03), não se tem mostrado ao nível do recordista do mundo, ainda que possa conseguir mais uma vitória e novo excelente registo.

Porém, um outro trio de etíopes apresenta-se com marcas pessoais muito interessantes, todas elas alcançadas na Maratona do Dubai de 2018: Birhanu Legese (2:04:15), Leul Gebrselassie (2:04:02) e Sisay Lemma (2:04:08).

Do lado do Quénia, mais que a presença de Felix Kipchirchir Kandie, as atenções e a curiosidade focam-se nas estreias de Abel Kipchumba e Bethwel Yegon. De notar que Kipchumba tem marca pessoal de 59:29 na meia-maratona. Parece improvável  um grande feito, mas com todas as atenções viradas para Eliud Kipchoge, não se sabe bem o que podem fazer “estes meninos” em pleno dia D.

 

Maratona de Berlim disputada em patins em linha

Para fechar o artigo, uma curiosidade. As grandes maratonas costumam ter provas adjacentes à corrida, seja no dia ou na véspera do evento. Se a mais comum costuma ser a da cadeira de rodas, em Berlim são os patins em linha que assumem esse protagonismo. Atualmente, os recordes da prova nesta modalidade estão fixados em 56:49 para os homens (Bart Swings, Suiça) e 01:06:35 para as mulheres (Maira Yaqueline Arias, Argentina). Espreitem o vídeo.

 

 

Fotos do Artigo: Dirk Ingo Franke (1) [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons; Dirk Ingo Franke (2) [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons

Fontes: Wikipedia (1), Wikipedia (2)

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.

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