Página Inicial Maratona Budapeste - Missão 2:30 Maratona Budapeste: Missão 2:30 – Semana de Treino 3
Maratona Budapeste - Missão 2:30

Maratona Budapeste: Missão 2:30 – Semana de Treino 3

A terceira semana de treinos para Budapeste foi completamente diferente da segunda. Dias de folga, treinos intervalados longe da zona de conforto, e o reforçar de um mistério descoberto na pista de tartan. Vamos então esmiuçar todos estes assuntos, entre outros.

 

Ser capaz de ajustar o plano de treinos

À primeira vista, este parece ser um assunto bastante simples e sem grande história. No entanto, quando lhe junto a minha experiência, sou forçado a dizer que nós temos tendência a torná-lo bem complexo.

Mas o que me leva a falar disto aqui? Ora bem, como vocês já devem ter percebido, os meus treinos mais específicos são bastante exigentes. Isto significa, e creio ter referido na apresentação desta rubrica, que o descanso entre eles é super importante. Inicialmente, esta terceira semana apontava para dois treinos intervalados. Um na 4ª feira à tarde e outro para ontem (sábado) à tarde.

Como é natural, quando se forja um plano com mais de dois meses para a frente, acabam sempre por surgir compromissos e obrigações mais em cima do acontecimento que obrigam a alterações. Foi o que me aconteceu nestes últimos dias. Depois de me comprometer a algo onde queria muito estar presente, antecipei os meus treinos mais duros para 4ª feira de manhã e para 6ª feira à tarde.

Se o primeiro treino duro não sofreu grandes alterações, o segundo teve pouca margem de descanso em relação ao primeiro. Esta era a situação que mais me preocupava, pois o ano passado passei momentos muito complicados de fadiga por abuso de carga nos treinos.

Um fator que este ano tenho andado em vigilância constante. Na 6ª feira à tarde percebi que alguma moleza que tinha nas pernas se devia mais à falta de vontade em fazer as séries do que a desgaste. Podem achar piada a esta minha afirmação, mas acreditem que andar na luta todos os dias (ou quase!) é muito benéfico neste sentido. Só quem passa pelas situações é que sabe o que estas realmente valem, o que mais à frente pode ser muito importante para tirarmos algumas ilações. Não tenho muitos anos de atletismo, mas já vou acumulando algumas experiências importantes para poder ser mais inteligente na minha abordagem ao treino e às provas.

Se antecipar as séries era a minha maior preocupação, para vocês o mais importante talvez seja o facto de ontem (sábado), eu ter tirado uma folga. Se fosse o ano passado ou há dois anos atrás, tal situação para mim era inconcebível. Um atrofio completo. Afinal de contas, o plano de treinos não dá folgas. Nem que fosse fazer só 30 minutos às 6 horas da matina para depois poder ir para os meus compromissos descansado.

Não sei se acontece com todos vocês, mas sei perfeitamente que esta minha maneira de pensar não é exclusiva. É este tipo de rigidez e excesso de fidelidade ao plano de treinos que muitas vezes nos prejudica. Especialmente quando os treinos estão a correr bem, não queremos de maneira nenhuma sair da linha previamente traçada.

No entanto, concordo totalmente com um ponto de vista que li há tempos e que dizia que o plano de treinos deve ser encarado como uma orientação e não mais do que isso. Ontem, com algumas atividades durante o dia que me permitiram ativar o corpo e acelerar a sua recuperação em relação à dureza do treino de 6ª feira, ir treinar só para dizer que não folguei seria apenas uma estupidez e uma maneira de comprometer a recuperação da “máquina” para os treinos da semana (4) que hoje começou.

Assim, termino este ponto a reforçar a importância de sermos flexíveis para com o plano de treinos. Para nosso próprio bem, deixemos de ser inflexíveis e orgulhosos.

 

Os treinos específicos da semana

Como tinha dito no início da semana, e ao contrário da anterior, esta semana iria trabalhar ritmos mais rápidos que o ritmo objetivo da maratona. Com descanso livre entre repetições, o objetivo destes ritmos para lá do meu limite aeróbico tinham como pressuposto trabalhar a minha tolerância ao ácido lático.

Não obstante, a primeira sessão arrancou com umas séries pouco para lá do ritmo objetivo, pois tinham um segundo objetivo: trabalhar a mudança de velocidade após desgaste.

Este segundo aspeto pode ser muito importante para a segunda parte da maratona. Por esta altura, tenho decidido na minha cabeça que tenciono ir a ritmo durante toda a prova em vez de ir à procura de um split negativo. Todavia, esta é uma escolha que só terá decisão final no dia da prova, consoante o resultado dos próximos treinos, das condições meteorológicas do grande dia, e até das circunstâncias da corrida.

De volta à primeira sessão, a verdade é que depois das primeiras séries já não conseguir ir muito mais rápido. Ter feito as primeiras repetições ligeiramente mais rápidas que o estipulado parece-me ser a resposta mais plausível para ter falhado a segunda parte do treino. Todavia, não estou totalmente convencido de que esta seja a explicação certa.

 

Sessão de 4ª Feira

2 x 3K (ritmo médio de 3:26/km com 3 minutos de descanso entre reps), seguido de 1 x 2K (ritmo médio de 3:25/km com 2min30seg de descanso), seguido de 2 x 1K (ritmo médio de 3:27/km com 2 minutos de descanso entre reps), seguido de 6 x 500m (ritmo médio de 3:15/km com 1min15seg de descanso entre reps).

 

Sessão de 6ª Feira

7 x 1K (ritmo médio de 3:15/km com 2 minutos de descanso entre reps), seguido de 8 x 600m (ritmo médio de 3:09/km com 1min30seg de descanso entre reps).

 

Porque sou melhor a correr no sentido dos ponteiros do relógio?

O mistério de ter uma perna mais forte do que a outra está de volta. Lembram-se de há tempos ter falado aqui nas diferenças de ritmos conseguidos consoante a direção em que corresse na pista?

Pois bem, como as séries de 6ª feira eram mais curtas que o normal, decidi ir fazê-las à pista. Ainda para mais o mês de agosto é o mais parado do ano, pelo que tive o recinto praticamente só para mim. Ou seja, estavam reunidas as condições para recolher mais dados sobre este tema que me tem assolado.

Depois das 7 repetições de 1K e de 4 x 600m, decidi fazer as últimas 4 repetições de 600 metros no sentido dos ponteiros do relógio (o contrário ao das provas de pista). E não é que voltou a acontecer?  Os primeiros dois terços do treino não deixam dúvidas de que já estava muito desgastado. No entanto, os resultados conseguidos põem tudo em questão. Vejam por vocês mesmos.

 

Garmin Connect - Séries 600m na Pista

 

Continuo intrigado com esta situação, embora ainda sem tempo para a investigar a fundo. Mas esse dia há-de chegar.

Ainda sobre a mesma, é certo que estava algum vento e ao inverter o sentido o vento contra estava do lado da pista que tinha bancada coberta. No entanto, depois de tanto desgaste, não vejo isso como solução. Aponto cada vez mais para alguma diferença na passada das minhas pernas e na força de cada uma. Aliás, eu próprio sinto que a maneira como faço a receção ao solo numa e noutro não é igual.

Em breve espero vir a descobrir algo mais sobre este tema, pois poderá ser muito útil quer a vocês, quer a mim, no sentido daquilo que tenho que corrigir ou trabalhar para não comprometer a minha performance.

 

Os restantes dias de treino

Quem acompanha estes meus artigos de preparação para a maratona já percebeu que eles são maioritariamente focados nos treinos mais duros e específicos. Através da secção de comentários, o leitor Sérgio Pires solicitou-me num destes artigos que partilha-se o que ando a fazer durante o resto da semana.

Sem problema nenhum com isso, vou tentar abordar essa parte mais ao detalhe daqui em diante. Tudo dependerá do meu tempo disponível e dos aspetos que tiver que abordar em cada artigo. Por agora, altura em que este artigo já vai muito longo e não quero que fique maçudo para ninguém, segue-se um apanhado geral.

A verdade é que nos restantes dias eu “rolo” bastante devagar para acelerar a recuperação (esta semana, por exemplo, apenas um treino com média superior a 4:40/km). E não me preocupo muito em ver no relógio o ritmo a que vou. Isto porque já me conheço e sei que, por esta altura, se não estipular ritmo dou por mim a correr entre 4:50/km e 5:00/km, o que é mais do que suficiente. Para mim, o objetivo de 95% dos treinos para lá das séries é mesmo esse: recuperar para as sessões mais exigentes.

Treinos longos para lá das sessões específicas? Um por semana e nunca mais de 1h30. Uma escolha que tem a ver com a minha condição, que vai para lá do objetivo de terminar a prova, e com os treinos de séries que por si só já são longos.

Em vésperas de treinos rápidos costumo fazer umas acelerações e, sempre que possível, tento fazer os treinos específicos à tarde. Desta forma, de manhã posso “esticar as pernas” com uma corrida leve de 30 minutos e assim ativar a máquina para a sessão dura e longa da tarde.

 

Conclusão

Por último, não posso deixar de manifestar contentamento depois de ter recebido alguns comentários e perguntas sobre esta missão. Fico feliz em saber que está a suscitar interesse e a ser útil a alguns de vocês, pois o grande objetivo em transcrever tais experiências para este espaço é mesmo esse 🙂

Por agora é tudo. Que o relato de mais esta semana possa também servir esses propósitos. Quanto a mim, amanhã já volto ao específico do específico. Bons treinos!

 

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2 comentários

Hélder Pires 7 Novembro, 2018 - 13:59

Mais do que cumprir o plano integralmente o importante é perceber as sensações que o corpo transmite e a meio adaptar alguns treinos ou mesmo eliminá-los de forma a poder continuar com o plano nos dias seguintes e evitar lesões ou fadiga indesejada. Com o tempo já estás a perceber que a sensatez supera a rigidez!

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Renato Sousa 7 Novembro, 2018 - 22:55

Yes 🙂 Ainda continuo muito casmurro ahahah, mas antes não mudava mesmo uma vírgula e agora já não é bem assim 🙂

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