7 Motivos que influenciam a minha seleção de provas no Atletismo

7 Motivos que influenciam a minha seleção de provas no Atletismo

De um modo geral, cada indivíduo tem uma boa margem, ao longo da época, para escolher as provas em que deseja participar. Não se trata de uma liberdade total, pois muitos atletas têm também um pequeno lote de provas obrigatórias, “impostas” pelos clubes que representam, o que faz o seu sentido.

Colocando os compromissos dos clubes de lado, quando o atleta tem liberdade de escolha é possível constatar que a postura varia de indivíduo para indivíduo. Enquanto alguns decidem competir todas as semanas (até mesmo 2 vezes no mesmo fim-de-semana …), outros são mais intermitentes na presença em provas, privilegiando ciclos de treino que recomendam ausência de competição.

Eu encontro-me neste segundo grupo. Se assim não fosse, este artigo provavelmente não existiria. Mas vou mais longe! Quando se trata de olhar para o calendário e fazer escolhas, não são critérios como o preço ou a localização da prova que mais influenciam as minhas opções. Acreditando que esta seleção pode ter influência no meu rendimento e na minha moral ao longo de uma época, passo então a descrever os principais motivos que que me levam a escolher as provas em que participo.

 

1 – Ganhar motivação e confiança

Quando os resultados desejados não aparecem, quando trabalhamos arduamente para um objetivo e falhamos, é perfeitamente normal ficarmos mais débeis no compromisso com o treino. Todos temos as nossas fraquezas, e um atleta desmotivado não encara os sacrifícios do treino, da alimentação, entre outros rigores, com a mesma força que um atleta motivado.

Do meu ponto de vista, nestas alturas o mais importante é recuperar o ânimo e a motivação que me levem a perseverar na luta pelos resultados desejados e que ainda não foram conseguidos. Só depois voltar a pensar nos bons registos e recordes pessoais.

Assim sendo, porque não procurar uma prova que me dê maiores probabilidades de uma boa classificação? As provas comerciais, por exemplo, normalmente têm menos concorrência. Ou seja, existe uma maior probabilidade de alcançar uma classificação acima da minha média de resultados. Até um pódio! Quando estas condições se verificam, embora a consciência me lembre: “falta aqui muita gente boa”, as emoções vividas são sempre positivas e podem ter força suficiente para me ajudarem a inverter o ciclo negativo.

 

2 – Alcançar um recorde pessoal e reduzir-me à minha insignificância

À medida que coleciono provas, vou também descobrindo aquelas que são mais propícias a recordes pessoais quando me sinto em condições de os atacar. Uma equação que para lá do público e do percurso da prova inclui também o largo número de atletas “do meu campeonato” que se apresenta na linha de partida. A meu ver, estes três ingredientes são essenciais para dar forma ao meu sonho mais próximo de se tornar realidade.

Por exemplo, no domingo passado, estive presente na 3ª edição do G.P. de Atletismo da Murtosa. Uma prova cujo percurso eu já conhecia (todo ele plano), e onde se adivinhava a presença de um grande lote de atletas de topo, para lá dos que fazem parte de clubes do distrito de Aveiro. Que dizer? Foi uma alegria andar no meio de tanta gente de qualidade.

Nestes casos, para além de ter sempre gente em vista, e da boa probabilidade de seguir num grupo saudável, o foco competitivo é maior, o que ajuda a abstrair-me um pouco mais do esforço físico que estou a exercer. Portanto, para lá do percurso e do apoio, a presença de gente competitiva é fundamental.

Por outro lado, a possibilidade de um recorde pessoal abafa a possível desilusão de uma pior classificação. Mas até isso é bom nestas provas, já que posso juntar o útil ao agradável. Ou melhor, ao saudável! Passo a explicar. Para além de um RP, um lugar na geral abaixo da minha média será bom para me manter em sentido. Para me relembrar que é preciso continuar a trabalhar se quero evoluir mais e continuar a escalar lugares. Esta prova da Murtosa atirou-me para um TOP 30 na geral, o que já não acontecia desde abril. Um dado que me reduz à minha insignificância. Um resultado que me diz: “tens muito que trabalhar, meu menino!”.

 

3 – A ligação criada entre mim e a prova em questão

No meio disto tudo, encontro sempre provas que até podem atrapalhar um pouco os meus objetivos mais importantes, mas às quais se torna difícil dizer que não. Creio que todos nós temos um conjunto de provas que encaixam neste perfil. Provas, ou até locais, que têm um significado especial nas nossas vidas. Uma ligação que pode ter nascido a partir do atletismo ou da vida desportiva, mas não necessariamente. Um sentimento especial que também pode estar relacionado com as nossas origens ou com etapas da nossa jornada neste mundo.

Por exemplo, no meu caso, admito que gosto bastante de correr em Espinho. Fica perto da freguesia onde resido, estudei lá, joguei futebol lá, trabalhei lá, representei um clube de lá, treino muito por lá, e tudo isto resulta num vasto leque de aventuras e amizades ligadas por esta cidade. Desta forma, competir em Espinho tem um sentimento muito especial para mim, para além de lá encontrar muitas caras conhecidas e ter um apoio extra durante as provas.

Ora, se estas escolhas podem atrapalhar um pouco o meu plano de treinos e forçar reajustes, não é menos verdade que tais provas proporcionam-me momentos e experiências que podem valer muito mais do que aquilo que é sacrificado quando forço a entrada das referidas no meu calendário competitivo.

De facto, algumas provas e locais recebem-nos tão bem e proporcionam-nos experiências tão boas que depois chamam pelo nosso regresso e fica difícil resistir, como vocês sabem tão bem ou melhor do que eu.

 

4 – Comparar resultados e avaliar progressos

Em cada época desportiva, costumo ter um lote de provas que transitam da anterior. Se boa parte delas se mantêm no meu calendário por algum dos outros motivos deste artigo, costumo ter umas 3 ou 4 que permanecem por motivos de comparação. Refiro-me a provas que mantêm os seus percursos e que “me apanham” em fases idênticas dos meus planos de treinos. Desta forma, a não ser que as condições climatéricas sejam muito diferentes, reúno condições para comparar a minha evolução no espaço de um ano, o que é sempre importante.

 

5 – Descobrir um novo sítio de Portugal … e do mundo!

Se o motivo anterior focou-se na repetição de provas, este olha precisamente para o outro lado. Isto é, para as provas onde assinalo a minha estreia. Para um atleta tão competitivo como eu, este motivo pode não ter tanto peso como alguns dos anteriores. No entanto, se tiver “uma aberta” no meu plano, muitas vezes acompanhada por um incentivo familiar ou de amigos que tencionem ir a determinado sítio, não costumo deixar escapar a oportunidade de dar um toque turístico a esta minha grande aventura.

 

6 – Porque tem que ser naquela data!

O ano passado, o meu plano de treinos culminava com a chamada “fase competitiva”. Um momento da época que determinava a presença em provas em todos os fins de semana. Durante esse intervalo de tempo, fiquei parte do grupo que compete todas as semanas e que vai onde houver prova. Por outras palavras, foi ver as competições existentes em cada fim de semana desse intervalo e escolher a mais indicada.

Talvez tenha sido demasiado rigoroso com esta ideia. Quase a qualquer custo, eu tinha de competir! Mas este foi um comportamento que tem alguma justificação. Depois de um plano tão longo, tinha que aproveitar ao máximo aquela última fase, pobre em treinos duros e muito rica em competição, que é o que qualquer atleta ambiciona!

 

7 – Uma necessidade para um objetivo maior

Embora aparente ser igual ao motivo anterior, este sétimo ponto é diferente. Passo a explicar. No tópico anterior, eu estou numa fase em que estou pronto para competir. Trabalhei para chegar ao meu pico de forma e, posto isso, venham as provas!

neste caso, as provas funcionam como um meio para atingir um fim, seja ele o pleno da condição física ou estar o mais preparado possível para a prova objetivo. Aqui, as provas são o caminho, não o destino.

O melhor exemplo real que tenho para este assunto é quando estou em preparação para uma maratona. Duas semanas antes do grande dia, eu procuro estar presente numa meia-maratona. Uma prova que funciona como treino específico, e que no caso de ter boas condições competitivas me vai permitir perceber se estou dentro ou fora do meu ritmo objetivo para os 42,195 metros.

 

Conclusão

Resumindo, não é à toa que escolho as provas em que participo. Embora possam existir outros fatores que influenciem as minhas decisões, de um modo geral os motivos aqui destacados são o meu manual de instruções neste assunto.

Como referi no início, acredito que estas escolhas, aparentemente inocentes, determinem um pouco o meu rendimento ao longo de uma época e os resultados alcançados, o que por sua vez tem impacto no me estado psicológico e em tudo o que se vai passar mais à frente. É uma situação que me faz lembrar o “efeito borboleta” da teoria do caos, e que pode até pôr em causa um plano de treinos bem elaborado e executado.

E para vocês? O que determina a organização e seleção das provas em que participam? Nada em concreto? Ou são tão “miudinhos” quanto eu? 😀

 

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.

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