4ª São Silvestre de Espinho – Análise

4ª São Silvestre de Espinho - Rio Largo Clube de Espinho

Pelo terceiro ano consecutivo, estive presente na São Silvestre de Espinho. Uma prova que, ano após ano, não tem sofrido grandes alterações. Nem mesmo no que toca a condições climatéricas. Já a nível pessoal, este foi o meu primeiro desafio em 2018, e assinalou o meu regresso às provas.

 

O prazer de voltar à competição

Começo esta análise pela parte mais pessoal. Sem competir desde a Maratona de Valência (por opção minha), estava ansioso por este dia. Invadido, nas últimas horas, por aquele fiozinho na barriga que já não sentia há algum tempo. Porque não é a mesma coisa quando se anda constantemente em competição. Torna-se um hábito, e assim deixa de ser tão especial.

Além disso, porque se vai na expectativa. À procura do melhor ritmo. Mas qual será ele, por esta altura? Com a dúvida, vem a melhor parte. Isto é, esquece-se o relógio para se dar ouvidos ao que diz o corpo. Guiamos-nos pelas nossas sensações. Mas sempre com um olhar desconfiado no entusiasmo e adrenalina dos primeiros minutos.

 

Correr em casa é sempre especial

There’s no place like home.” Assim se costuma dizer.

Para além de ser um local muito ligado ao passado e presente da minha vida, grande parte dos meus treinos iniciam-se ou têm passagem por Espinho. Desta forma, poder competir em Espinho é sempre especial. Uma ligação forte que nasce nas estradas e se estende até às pessoas.

Como num jogo de futebol, também no atletismo é especial “correr em casa” e rivalizar com amigos atletas em representação do nosso próprio clube e de outros. Também aqui se tira vantagem do apoio do público. Este último fator é, sem dúvida, o que causa mais impacto. Falo por mim. Esta foi claramente a prova em que senti mais apoio desde que ingressei no atletismo. Sinto uma onda de gratidão enorme para com todos.

Agora de uma perspetiva mais geral. Fiquei com a ideia que esta foi a edição (das que participei) que teve mais público presente. As condições climatéricas têm sido semelhantes, ano após ano (sem chuva!), pelo que este aspeto – de grande importância para o espetáculo – deve ser avaliado como em crescendo. Desta forma, faço a transição para a parte da avaliação da prova em si.

 

4ª São Silvestre de Espinho - Renato Sousa

Foto: Cristina Moreira Photography

 

Organização Geral da Prova

Não sou totalista nesta prova, uma vez que na primeira edição ainda não andava pelo mundo do atletismo. Mas com presença nos últimos três anos, tenho uma amostra de 75% em minha posse. Algo que me permite dar um parecer válido e construtivo sobre vários parâmetros referentes à organização da prova.

Partida. O tiro tem sido dado dentro da hora marcada. Os diferentes escalões continuam a existir, na tentativa de se aplicar um filtro nos atletas respeitante aos seus tempos de prova, o que é positivo.

Por outro lado, os abastecimentos têm aparecido perto dos quilómetros 3 e 5. Um ponto que a meu ver podia ser melhorado. Numa de duas situações.

Primeiro, se vão colocar dois abastecimentos, mais vale espaçá-los um pouco. Não faz sentido estarem os dois na primeira metade da prova, para depois não haver nenhum na segunda metade. Ainda para mais quando a parte do abastecimento no quilómetro 5 é em subida. Toda a gente sabe que o esforço dos atletas é maior por esta altura. Abastecimento em plano ou em descida, se fazem favor. Em subida? Não, obrigado.

Segundo, dadas as condições climatéricas que se fazem sentir por esta altura, um abastecimento a meio da prova seria suficiente (reforço, não em subida). A desidratação não é tão acentuada como se estivesse calor. Pessoalmente, nem fiz uso dos abastecimentos este ano. Mas isso foi só uma opção minha. Obviamente, eles devem sempre existir.

 

Prémios para os Participantes

Um dos pontos que este ano tive mais dificuldade em compreender. O ano passado a organização chamou ao pódio e parabenizou os primeiros atletas de cada escalão com uma lembrança. Não é nada de mais, mas é alguma coisa. Mais importante do que isso, demonstra algum reconhecimento.

Nesta 4ª São Silvestre de Espinho, limitou-se o reconhecimento aos 5 primeiros da geral feminina e masculina. Numa prova sem prémios monetários, ficamos a pensar para onde será mobilizado o dinheiro das inscrições (que não são nada baratas e este ano até esgotaram!).

Na linha de partida, tive a oportunidade de ouvir alguns veteranos comentar que não iam dar o máximo, após descobrirem que não havia nada para eles. Duvido que assim tenha sido com todos, pois alguns dizem estas coisas um bocado da boca para fora e depois “dão o litro”. No entanto, percebo perfeitamente estes desabafos. Isto condiciona o espetáculo!

Com base nisto, sou levado a pensar se o principal objetivo da organização é promover a competitividade no atletismo ou a atividade física em geral.

Na primeira situação, os prémios monetários fazem de facto falta para um elenco mais apetrechado. Eu fiquei em 8º lugar da geral. Estou bastante satisfeito e contente. Quer com o lugar alcançado, quer com a marca. Todavia, tenho consciência da ausência de atletas que, em situações normais, por esta altura ficariam à minha frente. De certeza absoluta que com prémios monetários a concorrência seria maior. O espetáculo agradecia! O atletismo em geral também.

No caso do foco ser a promoção da atividade física, em vez de prémios monetários para os primeiros, existe sempre a hipótese do reconhecimento ser mais orientado para todos os atletas. Sejam mais amostras dos principais patrocinadores, brindes originais, pequenos adereços para os treinos, etc… O importante é os atletas sentirem que o dinheiro investido foi minimamente correspondido.

A fechar este tópico que já vai demasiado longo. Esta foi uma prova em que as inscrições esgotaram. Muito por mérito do Running Espinho, que bateu o recorde nacional de inscritos numa só prova. Desde já, os meus parabéns a este grupo pelo feito. Com toda esta aderência, que certamente terá dado uma grande ajuda à organização, fica ainda mais difícil compreender este tema.

 

O Percurso da Prova

Desde que participo neste evento que o percurso foi sempre o mesmo. Um trajeto que percorre Espinho a quase toda a sua largura. Não é uma prova para se fazerem grandes marcas. O circuito tem muitos cotovelos (viragens a 180º) e uma subida significativa. Mas isto não é necessariamente mau. Nem todos os percursos devem ser rápidos e planos. Caso contrário, não tinha piada nenhuma e saíam sempre favorecidos os mesmos atletas. É bom haver variedade.

 

4ª São Silvestre de Espinho - Percurso

 

Nota positiva também para o piso que é de excelente qualidade no geral. Exceção feita a apenas um troço entre o quilómetro 2 e 3. Uma zona de paralelos terrível e com falta de iluminação. Contrariamente a isso, a descida final da rua 19 no último quilómetro com passadeira vermelha e muito público à volta é fantástica. Nota ainda para a larga avenida junto ao mar que surge a meio do primeiro quilómetro e permite aos atletas que partiram mal posicionados chegarem-se à frente sem dificuldade.

 

Conclusão

Com um registo de 34min03seg em 9.93K, este ano civil arrancou da melhor maneira para mim. Estou feliz pelo feito. Feliz por o ter conseguido em Espinho. À semelhança dos meus treinos, que tantas vezes têm início nesta cidade, que também aqui se inicie um excelente ano 2018 no que diz respeito à competição. Vou fazer por isso!

Relativamente ao que aqui fui opinando sobre a organização da prova, para mim o trabalho final não deixa de ser positivo. Também com base naquilo que por vezes se destaca pela positiva e pela negativa noutras provas.

Volto apenas a destacar a importância do reconhecimento para com os participantes. Um fator que poderia muito bem colocar a São Silvestre de Espinho noutro patamar. Até porque Espinho, por tudo o que já deu ao atletismo nacional, merece isso. Um outro elenco na parte competitiva. Um elenco que faça uma justa homenagem às capacidades atléticas do grande António Leitão.

Um agradecimento final ao São Pedro ou a quem quer que ande por aí a controlar as condições meteorológicas. O tempo ajudou. Apesar de algum vento e de muito frio natural da época, não esteve chuva e isso é muito importante. Tanto para os atletas e suas prestações, como para o aparecimento do público nas ruas. Definitivamente, só com estas duas partes juntas é que a prova se torna uma festa.

 

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.

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