Meia Maratona de Famalicão 2021: Ao estilo de Prison Break

Meia Maratona de Famalicão 2021

Há alguns anos atrás, entretive-me umas boas horas com a série televisiva “Prison Break”. Naquela altura, além da qualidade geral da história, a produção demonstrava uma enorme capacidade de, nos segundos finais de cada episódio, deixar o espectador a “salivar” pelo capítulo seguinte. Era assim que mantinha viva a relação entre as duas partes, pois nem sempre os melhores momentos coincidam com a cena de despedida. Se por vezes estavam espalhados pelos 45 minutos de transmissão, noutras situações associavam-se ao pseudo-epílogo. Este segundo cenário foi o que me rodeu na parte final da Meia Maratona de Famalicão, sendo por isso que escrevo este texto.

Os minutos finais da prova, a par de um raro e poderoso sprint final, deixaram-me animado e com a minha imaginação atulhada de bons cenários para as próximas aventuras. Um pouco à semelhança do que experienciava em cada capítulo de Prison Break. Como já referi, esta foi uma daquelas situações em que o melhor ficou mesmo para o final. Segue-se um resumo rápido de toda a aventura.

No início, uns minutos (quilómetros) de trama com alguma adrenalina e num pacing acelerado para o trajecto em questão. Já no segundo terço da prova, as sensações nunca foram grande coisa, possivelmente devido à introdução demasiado empolgante. Mas bem, lá me fui aguentando. Já perto do quilómetro 14, o percurso tinha um retorno. Depois de tudo o que tinha visto até aquela altura, tinha a desagradável sensação que no último terço ia ter mais dificuldades do que na realidade tive. O que bate certo com uma das duas situações de Prison Break já mencionadas. Com a parte intermédia (do episódio) a ser mais um sacríficio do que propriamente um desfrute, foram a adrenalina e o suspense, aqui representadas pelas boas sensações do corpo na parte final, que me agarraram à aventura no momento decisivo, fazendo de mim não apenas espectador de toda esta cena-chave do episódio de Famalicão, mas inclusive o próprio protagonista.

Ora, terminada a transmissão, com o cruzamento da linha de meta, este paralelismo entre ficção e realidade pode manter-se (como aconteceu comigo), ou ser completamente desfeito. Tudo depende do espírito do atleta. Afinal de contas, o que nos invade nas horas e dias seguintes a cada desafio, enquanto aguardamos a chegada do próximo? A irritação pela espera (que pode ser longa)? Ou a oportunidade de reviver toda a história com os amigos e partilhar o nosso entusiasmo pelo que vimos e pelo que nos aconteceu? Seja qual for o estado de espírito “escolhido”, é previsível que também “infecte” o nosso comportamento nos treinos dessas semanas.

Posto isto, dou por mim a perguntar se por vezes não é preferível terminar uma prova ainda com alguma energia por gastar (seja de forma consciente ou inconsciente), do que gastar o voucher de glicogénio na totalidade. Porque “terminar em força” deixa sempre a sensação que podíamos ter feito melhor, o que não será adequado nas provas mais importantes ou nos momentos em que estamos mais motivados. Por outro lado, quando estamos em baixo, e sem confiança nas nossas capacidades, talvez esta seja a melhor estratégia para fugir da depressão e dos pensamentos negativos que nos engolem, tal como Michael Scofield e Lincoln Burrows fugiram de Fox River.

Boas Corridas!

 

Nota: O autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.

Créditos Foto: Zé Lopes Reportagem

 

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.

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