Maratona Budapeste: Missão 2:30 – Semana de Treino 1

Maratona Budapeste - Missão 2:30

Caríssimos,

ontem, conclui a minha primeira semana de trabalho focada na Missão Budapeste, aqui apresentada há dias atrás. Como prometido, chegou então a altura de fazer um balanço destes primeiros dias. Notem que vou sempre considerar que a semana de treinos começa ao domingo e termina ao sábado. Ou seja, como só iniciei este plano de treino na passada 2ª feira, posso dizer que comecei a Missão Budapeste logo a folgar ahahah

 

A frescura dos primeiros dias

Como também havia dito, tinha preenchido alguns dias que antecederam este plano de treinos com corridas lentas de 30 minutos. Isto para refrescar a mente, o corpo, e ao mesmo tempo tentar conservar o máximo possível da condição física adquirida nos últimos meses.

Ainda hoje acredito que esta foi uma decisão acertada. Senti-me fresco nos treinos tranquilos (a rolar …) dos primeiros dias, assim como motivado para este novo desafio. Por outras palavras, invadido por aquela sensação que muitos de vocês também já tiveram. Aquela frescura, após paragem ou redução de treinos, aliada a uma vontade enorme de imprimir ritmos rápidos a meio dos treinos.

 

O treino exigente da semana

Como também já cheguei a referir, este será o meu plano mais curto de todos no que toca à preparação para uma maratona. Um plano que pouco vai passar os dois meses de duração e que certamente irá passar num ápice. Resultante deste encurtamento e da preparação feita nos últimos meses, a decisão foi a de ir direto ao treino duro e ao treino específico.

Assim sendo, o primeiro treino duro surgiu logo ao terceiro dia. Dois sets de 8x400m, a descansar 1 minuto entre repetições e 4 minutos entre os 2 sets. O objetivo era fazer as repetições em 1min12seg (3:01/km).

Logo à partida, suspeitava que o ritmo era exigente para mim, tendo em conta o pouco tempo de descanso entre repetições. Como tal, estava muito curioso para ver até quando iria aguentar sem que a acumulação do ácido lático se fizesse sentir. Já durante as primeiras repetições, as sensações do corpo diziam-me que estava demasiado rápido para aguentar os dois sets, confirmando as minhas suspeitas.

Os 4 minutos de intervalo entre sets eram a minha única esperança para a concretização do objetivo. Mas o tempo passa a voar quando não queremos e a acumulação do ácido lático nos músculos já era elevada. A última repetição do primeiro set já fora muito forçada para me manter no ritmo estipulado, pelo que no segundo set paguei essa fatura.

De uma média de 1min11seg no primeiro set, no segundo vim para 1min17seg. Consta que quando já não estamos a fazer as repetições para os ritmos pretendidos que mais vale parar o treino, pois a adaptação pretendida com o treino já se perdeu. Pois bem, eu decidi continuar, por muito custoso que estivesse a ser. Por dois motivos:

  • Para ver o que conseguia dar já com os músculos a abarrotar de ácido lático;
  • Esta é uma missão mesmo muito ousada e a maratona é uma distância que mete muito respeito. Em caso de quebra, vou ter que ter estofo mental para superar o sofrimento até que o meu corpo consiga limpar parte da acidez nos músculos e me permita recuperar algum conforto. Desta forma, não desistir do treino parece-me mais importante que a adaptação física a ele.

 

O treino específico da semana

Com tempo suficiente para ter recuperado da sessão de repetições de 4ª feira, ontem foi dia de iniciar a ambientação ao ritmo de prova. Ou seja, foi dia de treino específico. Depois de 11 kms em ritmo tranquilo, decidi-me a fazer cerca de 17 minutos ao ritmo objetivo da prova (3:33/km), com vista a um primeiro forcing de adaptação ao mesmo.

Este treino foi muito bom porque me obrigou a fazer uma mudança de velocidade depois de 11 kms mais lentos em que as pernas já estavam programadas para aquele ritmo. Desta forma, custou muito a engrenar a velocidade pretendida (parecia estar mais rápido do que na realidade estava …). Todavia, quer a nível respiratório, quer de pernas, nunca senti aquele sufoco extremo de quem está mesmo no limite.

 

Conclusão

Longe de ser uma primeira semana tranquila e apenas de integração, também não foi uma semana de exigência extrema, salvo o treino de repetições de 4ª feira.

Mais importante do que isso, estes primeiros dias de trabalho tiveram outros propósitos que devem de todo ser considerados. Nomeadamente:

  • voltar a perder algum peso acumulado nos dias de descanso anteriores e de um regime alimentar mais livre;
  • voltar a colocar o corpo “em sentido” para os treinos exigentes que aí vêm, através da imposição dos ritmos rápidos e específicos;
  • adaptação possível do corpo ao calor, pois este não deverá dar grandes tréguas nas próximas semanas;

 

Relativamente à semana que hoje começou, a dita cuja já terá outro nível de exigência e objetivos diferentes em alguns treinos, como vocês vão descobrir dentro de dias. Até lá 🙂

 

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.

2 thoughts on “Maratona Budapeste: Missão 2:30 – Semana de Treino 1”

  1. Olá Renato.Sigo atentamente o blog no Facebook,porque também sou Maratonista.Deixo só uma sugestão:Era importante poder saber os restantes treinos,apesar dos treinos específicos de séries serem obviamente os mais determinantes preparação de uma Maratona.Bons treinos!

    1. Olá Sérgio Pires,
      Obrigado pelo comentário e pela visita!
      Entendo. Eu tento ir ao essencial, pois se aqui estiver a esmiuçar tudo o artigo semanal acaba por ficar muito longo e nem sempre consigo ter tempo para falar de tudo. Mas vou tentar fazê-lo nos próximos artigos, inclusive já no de hoje.
      Bons treinos 🙂

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