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Livros Desporto Recomendados 2019 - Atletismo

Livros de Desporto que li em 2019 (e recomendo?!)

O ano 2019 está a chegar ao fim. Um ano que assinalou o meu regresso médio-intensivo à leitura, algo que já não se verificava desde há muitos anos. Sem considerar o tempo prestado a todo o tipo de artigos sobre atletismo e desporto em geral, dediquei várias horas a livros com ênfase nestas mesmas matérias. Uma jornada durante a qual me deparei com obras bastante enriquecedoras, cada uma à sua maneira, pelo que me parece sensato fazer-lhes esta publicidade, livre de influências e acompanhada de um breve comentário.

 

Healthy Intelligent Training – The Proven Principles of Arthur Lydiard (Keith Livingstone)

 

Healthy Intelligent Training: The Proven Principles of Arthur Lydiard - Keith Livingstone

 

Um excelente complemento para quem quer perceber melhor os princípios de treino de Arthur Lydiard. Como está à vista de todos os leitores do Vida de Maratonista, tenho andado novamente a seguir as pisadas deste senhor. A primeira vez em que o fiz foi depois de ler “Running with Lydiard”. Já nesta retoma aos princípios do neo-neozelandês, acabei por apostar nesta leitura de Keith Livingstone que, confesso, superou bastante as minhas expectativas.

De referir que Keith Livingstone treinou sobre a alçada de Barry Magee, um dos pupilos de Lydiard. Além deste fator, também teve grande contacto com esta metodologia por intermédio de outros treinadores e atletas que a colocavam em prática. As suas análises e conclusões em  relação a este método, combinadas com a sua experiência no mundo do atletismo, são bastante esclarecedoras.

 

The Inner Game of Tennis (W. Timothy Gallwey)

 

The Inner Game of Tennis - W Timothy Gallwey

 

Como o título indica, este livro é focado no ténis e não no atletismo. Contudo, diz algo ainda mais importante logo no princípio: “the inner game” (“o jogo interior”). Digamos que este é o verdadeiro conteúdo do livro, e o ténis apenas o seu meio de transporte, facilmente substituído por outro desporto.

Nesta obra, W. Timothy Gallwey leva-nos a viajar pelo nosso interior, a fim de percebermos a maneira como a nossa mente trabalha e como podemos tirar proveito desse conhecimento. Do aperfeiçoamento de um gesto técnico a um maior relaxamento e fluidez de um movimento mecânico vigoroso, as reflexões individuais tornam-se inevitáveis à medida que vamos progredindo na leitura.

O autor partilha estratégias para melhorar a concentração e execução de movimentos a partir de casos reais em que participou. Exemplos que suportam as suas convicções nesta procura pela sintonia perfeita entre corpo e mente, imprescindível para se alcançar o nosso melhor desempenho possível.

 

Correr ou Morrer (Kilian Jornet)

 

Correr ou Morrer - Killian Jornet

 

Este livro deixou-me de certa forma dividido. Longe de ficar desagrado, e de frisar que desconheço o mundo do trail, a verdade é que algumas das passagens pareceram-me conter uma pitada exagerada de ficção. Quem sabe no sentido de tornar o livro mais apelativo?!  É possível, embora me pareça desnecessário. Não consigo justificar muito bem estas palavras, mas foi uma sensação que ficou.

Por outro lado, identifiquei-me quase na perfeição com grande parte das reflexões do autor sobre a essência de um atleta, os seus desafios, aquilo que nos faz progredir nos momentos mais difíceis, até ao mero enfrentar de condições climatéricas adversas num “simples” dia de treino. A meu ver, as deambulações de Kilian Jornet pela “mente do atleta” são altamente assertivas e valem a leitura.

A título de curiosidade, para lá dos vários títulos conquistados em todo o tipo de competições, penso que o que torna Kilian Jornet diferente da grande maioria dos atletas são as suas raízes. O homem nasceu literalmente nas montanhas, privilegiando de um contacto com a Natureza que a maior parte de nós não usufrui (nem agora, nem no passado) e que inclusive nos limita a reflexão sobre temas de grande preocupação para a sociedade atual e gerações vindouras. O nosso querido planeta Terra. Verde e azul!

 

Aurora Cunha, Uma Vida de Paixões

 

Aurora Cunha - Uma Vida de Paixões

 

Como o nome sugere, e eu próprio relatei no meu artigo exclusivo a este livro, esta obra relata a vida e as conquistas de Aurora Cunha. Por este motivo, o dito cujo parece-me ter um papel muito importante nesta altura em que Portugal atravessa uma crise no meio-fundo e fundo do atletismo. Esta história de vida ajuda a perceber, principalmente aos mais novos, o patamar elevado que Portugal alcançou no atletismo noutros tempos, quer por intermédio da Aurora Cunha, quer através de outros grandes atletas.

No que diz respeito à personagem principal, presença constante e ativa em várias provas dos tempos que correm, o livro abre-nos os olhos para todas as suas vitórias. Ela que, de alguma forma, parece ter sido “abafada” pelas conquistas olímpicas de Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro. Porém, o repertório nacional e internacional de Aurora Cunha, dado a conhecer na íntegra neste livro, fala por si. Ora, se eu estou quase nos trinta e isto passou-me ao lado, imagino aos mais novos, cujo desconhecimento é ainda maior. A reduzida projeção do atletismo em Portugal contribui para este tipo de consequências …

 

Born To Run (Christopher McDougall)

 

Born To Run - Christopher McDougall

 

Livro editado em Portugal com o título “Nascidos Para Correr“. Comecei a lê-lo no final de 2018 e não sei precisar se o acabei antes da chegada de 2019. Seja como for, arrisco colocá-lo nesta lista. Já com dois artigos dedicados a este trabalho de Christopher McDougall, não tenho muito mais a acrescentar às minhas reflexões anteriores. Apenas reforçar o seguinte: faça ou não sentido a questão do “correr descalço” na cabeça de cada um, o livro é importante para nos fazer refletir sobre o tema. Isto sem descorar as aventuras que ganham forma na nossa imaginação à medida que vamos folheando as páginas, num verdadeiro choque de civilizações e mentalidades.

 

Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo (Haruki Murakami)

 

Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo - Haruki Murakami

 

Haruki Murakami foi um nome que apenas passei a conhecer depois de uma leitora deste espaço, Ângela Gaspar, o ter mencionado num dos seus comentários ao meu artigo: “O que significa correr?”. Só mais à frente percebi o grande reconhecimento conquistado por este autor no mundo literário. Ainda não consegui ler nenhuma obra “a sério” de Murakami, mas não resisti a a ler este devido às palavras “corredor de fundo”. Creio que seja um livro mais propício a quem corre por prazer do que pela competição, embora qualquer atleta se vá sentir agarrado a algumas das jornadas que Murakami relata (com muito mérito para a forma como este as descreve), como é o caso da peculiar Maratona de Atenas que o autor japonês correu.

 

It’s Not About the Bike – My Journey Back to Life (Lance Armstrong)

 

It's Not About the Bike - Lance Armstrong

 

O mais polémico desta lista. Um livro que deixa a bicicleta em segundo plano para acompanhar a luta de Lance Armstrong contra o cancro. Depois de tudo aquilo que veio ao de cima sobre o ciclista, é fácil colocar em causa qualquer palavra de Armstrong. Mesmo assim, por esta altura, e também com base no que vou ouvindo sobre o cancro, acredito que as referências que constam neste livro sobre o boletim clínico, a par de algumas “peripécias” adjacentes, são totalmente verdadeiras ou andam perto disso.

Ao mesmo tempo, ler as passagens que abordam o ciclismo permite-nos dar conta de pormenores que nos passam completamente ao lado enquanto espectadores das provas velocipédicas. O jogo de forças que se estabelece entre os atletas e os seus patrocinadores também não é esquecido, num livro que eu considero a primeira peça de um puzzle de livros. Já depois desta publicação, chegou uma outra de Lance Armstrong que também pretendo ler. Assim como as que se seguiram, de outros autores, e que levantaram o véu sobre o esquema de doping mais tarde confessado pelo próprio atleta.

Embora tenha acompanhado muito pouco da sua carreira, sempre olhei para este atleta como um símbolo do desporto. Quem sabe, levado pela onda mediática que o envolvia, em paralelo com a admiração manifestada por pessoas próximas de mim. Agora, caída a máscara, sinto curiosidade em perceber (talvez por ainda ter dificuldade em aceitar isso) como se formou esta avalanche de mentiras que envolveu tanta gente e levou Lance Armstrong a negar os seus atos durante tantos anos. O facto de toda esta história envolver jornalismo de investigação torna tudo ainda mais apelativo para mim. Sinto-me a “puxar o filme atrás” dos dois lados da contenda, o que neste caso tem algo de interessante.

 

Novas leituras desportivas em 2020 🙂

 

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