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Dicionário Atletismo de A a Z - Vida de Maratonista

Atletismo de A a Z – Versão alternativa arrojada

Um dicionário, exclusivo do Vida de Maratonista, que permite a qualquer indivíduo alargar horizontes em relação a alguns dos principais termos que preenchem o panorama do atletismo. Embora esta versão não seja oficial ou revista, não digo isto a brincar.

 

Anaeróbico – quando não temos arte nem engenho para manobrar o negócio do oxigénio e acabamos a perder mais do que aquele que recebemos.

Balão – espécie em vias de extinção, devido ao aparecimento do termo “pacer“, que dá nome aos atletas que marcam ritmo nas maratonas. Quando há transporte efetivo de balões, quem segue atrás do pacer vai a levar com eles na cabeça, pelo que esta modernização não é má de todo.

Corta-Mato – versão hardcore para quem não se contenta em chapinhar nas poças de água quando chove, preferindo enterrar-se na lama.

Dorsal – Número de identificação do atleta que varia de prova para prova a fim de não o aborrecer por ser sempre o mesmo.

Economia (de corrida) – Processo negocial que, ao fim de muitos dias a regatear com o corpo, torna o atleta capaz de correr a mesma distância por um preço energético mais em conta.

Fartlek – autorização obtida na Suécia que concede ao seu portador o direito de acelerar nos treinos quando lhe apetece sem ter de prestar contas a ninguém. Esta licença não é necessária para os eventos competitivos e, talvez por isso, vários atletas se comportem deste modo. O problema é que nestes casos normalmente só aceleram uma vez e depois ficam a pedir uma boleia mais atrasada.

GPS – treinador não licenciado do atleta que a cada quilómetro de prova lhe diz coisas como “vai mais rápido!”, “vai mais lento!”, “estás uma máquina!”, “já rebentaste!”, entre outras expressões que às vezes roçam o insulto.

Hidratação – porque usar “glicogénio” na letra anterior era como falar da gasolina que a pouco e pouco vai perdendo os seus consumidores. Assim, preferi alocar aqui um termo mais ecológico e versátil. A hidratação, representada pela água para alguns e pela cerveja para outros, demarca-se da restante concorrência de combustíveis, pois para além de aparecer durante a corrida, também é das primeiras a receber os atletas após o corte da linha de meta.

Intervalado – o treino que comprova a existência da morte para lá da vida e da vida para lá da morte.

Jogging – quando um grupo de corredores puxa um braço de um indivíduo e um grupo de caminheiros puxa o outro, acabando este por ficar a meio caminho de ambas as facções.

Km – abreviação da palavra portuguesa “quilómetro” que ganhou a corrida solitária pela presença na letra K deste dicionário idiota.

Lebre – guia turístico exclusivo do atletismo que na maioria dos casos abandona a viagem a meio caminho por queimar todas as suas energias devido a um entusiasmo excessivo de seguir sempre na frente. Mas também já aconteceu o excesso de adrenalina deixar os turistas apeados e o guia ir-se embora para a meta.

Maratona – a melhor coisa do mundo.

Negative Split – estrangeirismo que veio aliviar o desgaste da expressão “estás atrasado!” e que leva os atletas a correrem a segunda metade de uma prova em menos tempo que a primeira.

Oxigénio – elemento roubado em grande escala pelos atletas, mas que estranhamente ainda ninguém apresentou queixa nem investigou este escândalo.

Pódio – conjunto de degraus, dispostos de forma adjacente, incapazes de esconderem as suas preferências. Quando um atleta grande sobe ao degrau mais alto, ele transforma-se num grande atleta. Quando um atleta pequeno sobe ao degrau mais alto, ele é motivo de chacota pela dificuldade em subir para aquele patamar.

Queniano – ser de outro planeta, cuja origem já mais será conhecida. Uma impossibilidade fundamentada pelo número  imensurável de quilómetros que o queniano correu a grande velocidade desde que partiu em direção à Terra e que o forçou a apagar os registos das jornadas iniciais e reveladoras do seu paradeiro.

Recorde – o termo mais versátil deste dicionário. Pessoal, nacional, mundial, caso para dizer que este moço é “pau para toda a obra”. Até para o número de tentativas falhadas que um atleta acumula até alcançar um novo personal best.

Subida – a moça mais desagradável que se atravessa na jornada de um atleta. Inclusive tem a lata de olhar os corredores de cima para baixo, olhos nos olhos, e de baixo para cima, ficando eles sem saber como reagir. Já a sua irmã gémea é uma simpatia (descida), mas infelizmente não ganhou o lugar na sua candidatura à letra D deste dicionário.

Tempo – o relações públicas. Independentemente da vontade do atleta, este vê-se obrigado a confraternizar com o sol, a chuva, o vento, o frio e o calor, numa tendência para ter que os aturar a todos ao mesmo tempo, cada vez com mais frequência. Reunião de grupo? Nah, tropical!

Ultramaratona – grupo de cépticos que não acredita que a maratona é a melhor coisa do mundo!

VO2Max – tabela criada para caracterizar os ladrões de oxigénio. Porque no que toca ao furto deste elemento, há o roubar e o roubar! Quanto maior o VO2Max de um atleta, maior a sua certificação no ramo. Tomem cuidado quando vos perguntarem qual o vosso VO2Max.

WC – local de descarga que pode estar ou não identificado. Em dias de competição, as organizações têm feito um esforço extra para acabarem com os WC clandestinos. Infelizmente, segundo consta, a colocação de mais WCs ao longo dos percursos das provas e no local da partida têm sido esforços inglórios nesta luta que não trata os rins e os intestinos como seres criminosos, mas quase!

Xelim – moeda transportada pelos atletas nos treinos longos para usarem no caso de ficarem apeados ou de precisarem de hidratação extra. Isto no século passado! Agora é mais o Euro, porém, em homenagem aos tempos antigos de alguns países, e porque mais uma vez deu jeito, escolhi antes o Xelim.

Yoga – prática que permite ao atletas percorrerem quilómetros com a mente em vez de ser com as pernas, sempre de forma relaxada. Em contrapartida, alguns dos seus exercícios levam a (in)flexibilidade destes indivíduos a deixá-los envergonhados.

Zig Zag – movimento utilizado por atletas que ficaram presos no trânsito da linha partida e que passam o primeiro quilómetro de uma prova a ultrapassar pela esquerda e pela direita, assolados por um ataque de pânico que só visto. Por vezes, chegam mesmo a haver atropelamentos.

 

Imagem de capa de Clker-Free-Vector-Images no Pixabay

 

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