Balanço Final da Época Desportiva 2021/2022

Corrida Portucale 2022

No atletismo em Portugal, a temporada desportiva normalmente prolonga-se até final de outubro (incluindo a época de transferências), para a nova se iniciar no dia 1 do mês seguinte. No meu caso, prefiro fazer o balanço em momentos de fim de ciclo de treino, ou por esta altura do verão. Um período em que, além de fechar um ciclo, dou também alguns dias de descanso ao corpo para recuperar de uma dezena de meses de trabalho consecutivo, mais coisa menos coisa.

No caso deste texto, ele vai de encontro ao que costumava fazer noutra plataforma, em anos anteriores. No entanto, fruto do passado recente, as circunstâncias são bastante diferentes. Ainda durante o último ano, o impacto da pandemia fez-se sentir a vários níveis. Entre os factores mais pessoais e os que foram comuns a todos, posso destacar os seguintes:

– A imprevisibilidade e a escassez de provas: embora em 2021 este segundo aspecto tenha sido muito atenuado, o primeiro ainda teve muita força, com várias provas a sofrerem alterações de datas de realização, condicionando a preparação de qualquer atleta.

– O isolamento obrigatório, resultado de infecção do vírus, que também condicionou o meu trabalho, a determinada altura da época.

– O rigor e o planeamento do treino: como já o disse antes, nunca desliguei do treino durante a pandemia. Mérito para o bem-estar diário, que se sobrepôs a alguma desmotivação provocada pela ausência de competição, em determinados momentos. Todavia, numa primeira fase da época, fiquei muito mais desleixado (quiçá, como resultado dessa incerteza) no que toca a conceber um plano de trabalho semanal, mensal, etc. Com frequência, essa era uma decisão que tomava muitas vezes em cima da hora. E apesar de manter a diversidade dos tipos de treino, ao fazer as coisas dessa forma, ficava automaticamente impedido de ter uma visão mais alargada e panorâmica do plano em execução, no seu todo.

Felizmente, com o passar dos meses, os dois primeiros pontos supra referidos foram ultrapassados em larga escala, o que levou a algumas melhorias no terceiro ponto. Como tal, por esta altura, esse é o primeiro motivo de satisfação pessoal. Isto é, o facto de, nestes últimos meses, ter concebido e executado ( ainda que com algumas alterações pelo meio) um plano de trabalho minimamente decente. Algo que já não acontecia desde o meu regresso de Sevilha, em 2020.

Com efeito, no que toca a uma avaliação da época para lá das classificações nas provas, encaro esta melhoria como uma (re)conquista, que poderá ser ainda mais saborosa se agora lhe for capaz de dar seguimento. E bem que será preciso, como falarei mais à frente. Antes disso, é tempo de avaliar a temporada em termos de resultados.

Portanto, entre agosto 2021 e o mês de julho corrente, estive presente em 19 provas, a grande maioria de carácter regional. Uma delas foi em regime de estafeta, que deixo fora destas contas. Catalogando as restantes dezoito, a lista apresenta-se da seguinte forma:

– 6 Provas de meia maratona

– 7 Provas de estrada a rondar os 10K

– 1 Prova de estrada com distância igual ou inferior a 9K

– 1 Prova de corta-mato curto (4K)

– 1 Prova de 5000m na pista

– 1 Prova de 3000m na pista

– 1 Prova de 1500m na pista

De tudo isto, consegui entrar por 9 vezes no Top 10 do meu escalão (sénior), seis (6) das quais albergaram também presença no Top 10 da classificação geral da corrida. Nestas contas, não estão incluídos os pódios ao nível da geral, aos quais subi por 4 ocasiões, mas nunca ao lugar mais alto do mesmo. A verdade é que esse cubo com o número 1 que se encontra nos palanques é muito alto para uma perna tão curta como a minha, pelo que é da maneira que vou tendo mais tempo para me preparar para essas subidas.

Brincadeiras à parte, nos dias em que as provas reúnem condições para ir à procura de novos cromos para a minha caderneta de recordes pessoais, isso torna-se mais importante do que os pódios e as boas classificações que aí possam ser alcançadas. E também neste aspecto fui feliz. A meu ver, participei em demasiadas meias maratonas e, curiosamente, nunca consegui melhorar a minha marca. Por outro lado, oficializei a minha melhor marca aos 10K (33min26seg) na estrada. Tempo esse que julgava ter registado antes, mas que afinal não corresponde à verdade, devido a uns metros em falta no percurso. Pelo menos, continua a ser este o meu entendimento. Além dos 10K, os dois RPs na pista, no mês de junho passado, na distância dos 5000m e dos 3000m, foram mais dois cromos importantes que acrescentei à caderneta. Pequenas melhorias, mas suficientes para ter um foco mais elevado nas próximas vezes que correr no tartan.

Apresentados todos os números, a pergunta tem que ser feita: correu alguma coisa mal? Ou menos bem? E a resposta, não obstante os bons apontamentos já mencionados, também é “sim”. Como já disse antes, esperava estar melhor neste último mês, praticamente só dedicado à competição. Mas o grande pico de forma que eu esperava não se verificou. A meu ver, perdi esse momento quando fiz uma alteração no plano de treino previamente traçado, com vista a encaixar a jornada dupla em Vagos para correr os 3000m e os 5000m. Uma aventura que foi seguida por um assalto falhado aos 1500m e que me obrigou a abrandar durante dias importantes para recuperar desse esforço. Como consequência, tive de substituir a fase de trabalhos específica que antecede precisamente a recta final do plano, pois nunca mais tive margem para a reintegrar. Ora, tendo em conta os RPs nas distâncias, e até os respectivos pódios nesses Campeonatos Distritais Absolutos de Pista, a alteração tornou-se justificável.

Findados os trabalhos, é tempo de preparar o regresso à maratona. O próximo ciclo será curto e, como tal, não haverá muita margem de manobra. Indo de encontro ao que disse em cima, um esboço global de todo o plano de trabalhos, com revisões e pequenos ajustes regulares, é essencial para ser capaz de encaixar, com critério, tudo aquilo que preciso de reforçar, intensificar e melhorar até lá. Em paralelo com isso, será possível tirar mais ilações e novos entendimento sobre as metodologias que tenho vindo a seguir e a cimentar conhecimentos, por via da sua aplicação. Mais do que nunca, dado o aperto no calendário, olho para a consistência no treino dos próximos tempos como factor determinante para os resultados que possa vir a alcançar. De tal forma que a presença em provas será mínima e as ambicionadas melhorias de marcas passam apenas pela distância da meia-maratona e, claro, da saudosa maratona.

Até breve! Boas corridas 🙂

 

Nota: O autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.

Foto: Corrida Portucale 2022 (EventSport)

 

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.

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