Página Inicial Opinião 95º Campeonato Nacional de Corta Mato Longo – Opinião
95º Campeonato Nacional de Corta Mato Longo - Monforte 2018

95º Campeonato Nacional de Corta Mato Longo – Opinião

Depois de se ter realizado em Mira no ano passado, desta vez o Campeonato Nacional Corta Mato Longo desceu até ao Alto Alentejo. Concretamente até Monforte, região pertencente ao distrito de Portalegre. Ao contrário da edição anterior, na qual participei, desta vez acompanhei a prova pela televisão, para agora poder deixar aqui o meu bitaite.

 

O percurso escolhido

A presença no local dá sempre outra perceção. Mas mesmo através da televisão deu para perceber que o percurso era bastante exigente. Várias zonas enlameadas, que quanto mais calcadas pior ficavam, acompanhadas por várias subidas e consequentes descidas.

Ainda assim, não me pareceu tão difícil como aquele que enfrentei no Campeonato Distrital de Corta-Mato Longo, referente ao distrito de Aveiro. Desde já faço a publicidade. Parque da Cidade Dr. Eduardo Coelho, em Vale de Cambra.

Já Mira é totalmente diferente. Um piso semelhante a terra batida onde os pés não enterram tanto. Não admira que tenham escolhido o local para a realização da Taça dos Campeões Europeus de Corta-Mato deste ano.

Se me perguntarem qual prefiro? Mira. De longe. No entanto, estou totalmente de acordo com os percursos e os pisos serem diferentes de ano para ano. Acredito que isso promove a competitividade, no sentido em que não beneficia sempre os atletas com as mesmas caraterísticas.

Assim como também sou defensor do evento mudar todos os anos de sítio. É importante que este campeonato de tanta tradição percorra Portugal de Norte a Sul.

 

Vitória para Sara Catarina Ribeiro

Volto-me agora para a competição. Na parte feminina, Sara Catarina Ribeiro levou a melhor sobre Sara Moreira, num duelo que iria sempre consagrar uma nova campeã nesta prova mítica do atletismo nacional.

Isto depois da equipa do Sporting Clube de Portugal não ter ganho para o susto. Logo à partida, adivinhava-se um passeio do clube leonino, rumo a mais um título coletivo. A equipa chegou a ter um comboio de 5 atletas na frente de prova.

Contudo, a desistência de Susana Godinho e de Jessica Augusto lançaram dúvidas sobre o resultado final coletivo e individual. Jessica Augusto era a grande favorita na antevisão.

Com Inês Monteiro a descolar da frente de prova, esta ficou então entregue às Saras. Mais até a Catarina Ribeiro, que desde cedo pareceu muito determinada. Na volta final, o forcing que fez permitiu-lhe descolar de Sara Moreira e arrecadar o título de Campeã Nacional.

Emocionada nas declarações prestadas após a prova, era evidente a importância daquela conquista para a atleta.

 

R.D. de Águeda esteve perto de causar furor

Na parte coletiva feminina, o R.D. de Águeda (segundo classificado) ameaçou um Sporting desfalcado e esteve perto de chegar ao lugar mais alto do pódio. Uma equipa que já não será surpresa para ninguém nesta luta pelos lugares cimeiros femininos, graças aos vários resultados alcançados nos últimos tempos. Ao clube de Alvalade, valeu o décimo quarto lugar de Sandra Teixeira para não deixar fugir o título. Já o S.C. de Braga foi terceiro.

À semelhança do ano passado, e para prejuízo da competitividade, a equipa do Benfica voltou a não marcar presença na elite feminina. Nem uma atleta! Muito mau.

 

Rui Teixeira é o novo campeão nacional

A prova masculina teve bastante mais emoção que a feminina. Por dois motivos.

Primeiro, pelo duelo entre Benfica e Sporting. As equipas marcaram presença em força. Não sei se algum atleta desistiu, mas concluíram a prova 16 (dezasseis!!!) atletas do Sporting e nove do Benfica.

Depois, pela estratégia adotada por Rui Pinto do Benfica. No final, segundo declarações do próprio, ganhar a prova e renovar o título não era suficiente. Rui Pinto queria ganhar com clara distinção em relação aos seus adversários. Foi assim que justificou ter-se isolado na frente de prova após o tiro partida, deixando toda a gente para trás.

De facto, a ousadia dá para grandes feitos … ou grandes desilusões. Desta vez, deu para o torto. O atleta pagou caro a decisão de se ter isolado tão cedo na prova.

Se quisermos ver as coisas de outra forma. Um Rui Teixeira de grande nível transformou a escolha de Rui Pinto numa má decisão. Sim, porque antes de chegar ao comando da prova, Rui Teixeira deixou para trás outros grandes nomes. Quiçá maiores candidatos do que ele à vitória final. O atleta do Sporting tem todo o mérito nesta sua conquista.

No final, Rui Teixeira assumiu mesmo que Rui Pinto seria o grande candidato e que não esperava alcançá-lo. Mas a magia das provas é mesmo esta. A imprevisibilidade dos acontecimentos. O risco ou a segurança que os atletas colocam em cada decisão durante a prova. A ambição de cada um. Não são só as pernas que correm.

Todos os que viram a prova devem ter ficado com a sensação que o Rui do Benfica podia ter renovado o título. Um troféu que o atleta conquistara num longo sprint na época passada. Convém lembrar que Rui Pinto, depois de ultrapassado por Rui Teixeira, esteve quase a desistir. O atleta chegou mesmo a parar. Na minha convicção, foi o público presente no sítio onde este estacionara que o fez continuar e acabar a prova. Surpreendentemente, o atleta voltou a correr com força. Apesar da paragem, o atleta não perdeu o segundo lugar.

 

Mais um título coletivo para o Sporting

O segundo e terceiro lugares de Rui Pinto e Samuel Barata, respetivamente, não chegaram para impedir o Sporting de vencer por equipas na elite masculina. Benfica foi segundo classificado, enquanto a equipa de São Salvador do Campo (Santo Tirso), que este ano se reforçou muito bem, conseguiu um excelente terceiro lugar à frente de equipas como o Sporting Clube de Braga e o Maia Atlético Clube.

 

Sprint Final

Duelo de Saras no feminino. Duelo de Ruis no masculino. Assim se escreveu a história deste 95º Campeonato Nacional de Corta Mato Longo.

Um evento também marcado pela conquista de todos os títulos (individuais e coletivos) por parte do Sporting Clube de Portugal, ao nível da elite.

Uma excelente notícia para o clube, que assim justificou o porquê de se ter sagrado Campeão Europeu nesta vertente, há pouco mais de um mês. Uma má notícia para o atletismo nacional, no sentido em que fica demonstrado (mais uma vez!) a falta de competitividade existente no nosso país.

 

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