5 Diferenças do Corta-Mato para a Estrada

5 Diferenças do Corta-Mato para a Estrada

O domingo passado ficou marcado pela dupla conquista coletiva do Sporting Clube de Portugal na Taça dos Clubes Campeões Europeus de Corta Mato. Realizado no Município de Mira, a presença deste grande evento em Portugal é motivo de orgulho para os portugueses, assim como as conquistas do clube português. Parabéns ao Sporting e aos seus atletas pelas excelentes prestações!

Pessoalmente, não tenho dúvidas da importância deste duplo feito para o clube leonino. Os rostos e os discursos dos seus atletas no final da prova demonstravam isso mesmo. Ainda assim, vejo estas conquistas a serem mais importantes para a divulgação do Atletismo em Portugal, e do corta-mato em particular. Por força destes resultados, tivemos um bocadinho de mais atenção dos media. Creio que se o Sporting não se tivesse destacado desta maneira que o evento tinha passado quase em claro. Mas adiante.

Também este domingo iniciei a minha prestação nos corta matos (distritais) desta temporada. Assim, visto que “corta-mato” terá sido uma das trends da minha cabeça durante esta semana, tive a ideia de construir este artigo. Numa altura em que as provas de estrada recebem a presença de todo o tipo de participantes, poderá ser útil a muitos leitores perceberem o que diferencia os corta-matos das corridas de estrada em particular.

 

1. Dificuldades do percurso

Subidas e descidas podem (ou não!) fazer parte dos corta-matos e das provas de estrada. Até aqui tudo bem. As diferenças vêm a seguir. Quer pela inclusão de obstáculos, que nem sempre se verifica mas que pode existir. Quer pelas irregularidades do percurso.

Dependendo do local escolhido, e das condições climatéricas que se façam sentir, o piso pode ser muito diferente. Da relva semelhante a um campo de futebol à terra batida, da lama à terra mole do campo em que os pés também enterram, ou até mesmo um percurso normal de terra dura que dispense o uso de equipamentos recomendados para este tipo de provas.

Tendo em conta a grande variedade de pisos que é possível encontrar, os atletas podem sair beneficiados ou prejudicados em relação a outros a que normalmente se equiparam na estrada. Tudo dependerá das características físicas e técnicas de cada um.

 

2. Equipamento

Sapatilhas de bicos em vez de sola lisa. Normalmente, é este tipo de equipamento que se recomenda para as provas de corta-mato. Ao contrário da estrada, e tendo em conta os tipos de piso falado no tópico anterior, os bicos podem ajudar na aderência e tração ao piso.

Semelhantes aos pitões das chuteiras dos jogadores de futebol, os bicos podem ir dos 5 aos 15 mm e devem ser ajustados consoante o estado do terreno e as preferências do atleta. Não têm que ser todos do mesmo tamanho. Há quem prefira usar uns maiores à frente e outros mais pequenos atrás, vice-versa, ou apenas à frente. É uma questão de escolha e conforto pessoal.

 

3. Ouvir o Corpo

Atualmente, nas provas de estrada, os atletas têm tendência a gerir os ritmos com base naquilo que o relógio GPS indica. Nos corta-matos, a história é um pouco diferente.

Primeiro, porque algumas das viragens nem sequer têm o formato curvilíneo, o que pode baralhar um pouco o sensor GPS. Alguns atletas até se agarram aos troncos ou ferros para se auxiliarem nas viragens.

Segundo, e mais importante, nunca será possível aplicar o ritmo que temos na estrada às provas de corta-mato. Seja qual for o tipo de piso que vamos encontrar, nunca será a mesma coisa. Assim como os impactos que se refletem no nosso corpo, em paralelo com a exigência dos músculos do mesmo.

Resumindo, mesmo existindo um trabalho e uma preparação específica para os corta-matos, nas suas diversas variáveis, será sempre complicado ter um ritmo definido. O melhor será sempre dar ouvidos às sensações do nosso corpo e gerir a prova a partir daí.

 

4. Público

O fator “público” nas provas de estrada é altamente variável. Mesmo dentro da prova em si. Por exemplo, num percurso de 10K, podemos apanhar duas ou três zonas curtas de público e a restante distância ser um deserto. Assim como pode existir público em toda a linha.

No caso dos corta matos, os circuitos costumam ser curtos. Isto permite ao público concentrar-se ali à volta e os atletas receberem apoio constante. Quem corre em casa tira ainda mais vantagem deste partido.

 

5. O fator Equipa

Na estrada, nem todas as provas premeiam a questão coletiva. Com algumas exceções, das quais fazem parte os campeonatos de estrada, a maioria resume-se ao título individual.

Por seu lado, na questão dos corta-matos existe uma forte atenção na parte coletiva. Inevitavelmente, isto também afeta o rendimento dos atletas. Se por vezes estes poderiam perder o foco na prova por não lhes estar a correr bem, a parte coletiva pode servir de amparo e assim evitar que este se desligue por completo da competição. Pelo contrário, se a equipa estiver a ter uma má prestação, este fator pode ter uma influência negativa.

 

Conclusão

Não sendo eu o maior fã de corta-matos, também não desgosto. Enquanto atleta, gosto sim do espectáculo que se cria em torno do evento e que me dá uma maior motivação durante a prova.

Já do ponto de vista do espectador, olho para o ponto 3 como o mais atrativo. Aquele que traz mais emoção aos corta-matos. A má gestão das energias dos atletas (para bem ou para mal!), que tantas vezes acontece, torna a parte competitiva mais emocionante e proporciona algumas surpresas em termos classificativos.

Quem nunca participou num corta-mato e identifica-se com o que foi dito em cima não deverá deixar de viver esta experiência.

 

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.

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