Página Inicial Opinião 28ª Meia Maratona de Lisboa – Opinião
28ª Meia Maratona de Lisboa - Opinião

28ª Meia Maratona de Lisboa – Opinião

Ainda não foi este ano que participei na Meia Maratona de Lisboa. Uma prova também conhecida como “Meia Maratona da Ponte”, que este ano não teve possibilidade de fazer jus a este seu apelido.

Porém, com transmissão garantida na RTP, não pude deixar de ver a prova, para agora dar aqui o meu parecer. Ver na televisão é bem diferente de participar ou assistir no local. Desta forma, esperem uma opinião bastante influenciada pela parte televisiva.

 

Alteração da partida à última da hora

Em 28 edições, pela primeira vez a partida não se deu na Ponte 25 de Abril. O Eixo Norte-Sul (Sete Rios) foi o lugar escolhido para a substituir. Um plano B que a organização se viu forçada a ativar, dadas as condições meteorológicas adversas.

Uma decisão que terá apanhado muita gente desprevenida. Certamente, uma desilusão para muitos atletas. Especialmente para aqueles que pela primeira vez participaram nesta Meia Maratona de Lisboa. Mas que fazer? A segurança de todos tem de estar em primeiro lugar.

Acredito que não tenha sido uma decisão nada fácil de tomar por parte da entidade organizadora. Nós, deste lado, apenas temos em conta a alteração do local. Para o Maratona Clube de Portugal, esta alteração terá interferido em muitos dos planos logísticos, previamente definidos.

 

32 mil corajosos!

A estimativa da organização. Tudo bem que este total engloba meia-maratona, mini-maratona e a prova de cadeira de rodas. Ainda assim, é muita gente na estrada. Muita gente que ganhou coragem para enfrentar a tempestade Félix. Tanta gente que ele até ficou tímido.

Este foi também um bom incentivo ao treino de quem não participou nesta prova. Eu mesmo só vi a prova à tarde. De manhã também fiz o meu treino. E se podia estar reticente em ir treinar devido às condições que se faziam sentir, lembrar que tantos valentes estavam na estrada, à mesma hora, mas mais a sul, fez-me sair da toca com facilidade.

Ainda em relação aos números. Não tinha noção que este evento puxava tanta gente. É um excelente sinal para o atletismo português. Uma oportunidade da qual se deve fazer uso para potenciar o desporto no nosso país. A meu ver, desta vez a RTP não esteve ao nível da responsabilidade.

 

Atletas portugueses não receberam qualquer atenção

Com presenças internacionais de elite máxima na prova, nenhum português foi capaz de seguir estes grupos. Infelizmente, já era esperado.

Por outro lado, o acompanhamento exclusivo da transmissão às frentes da prova deixou-me surpreendido. Pela negativa. Então e a elite nacional? Não compreendo como não existiu uma câmara a seguir os melhores atletas portugueses em ambos os géneros. Muito mau!

Até para os comentadores da prova. O acompanhamento dos melhores portugueses permitir-lhes-ia falar um pouco sobre eles e sobre os seus percursos no atletismo. Limitarem a câmara aos atletas (quase todos eles!) africanos, quando muitos deles são novatos e ainda nem têm grandes referências, deixa os próprios comentadores sem saber o que dizer.

Custa mesmo entender. Boa parte dos espectadores já conhece mal os atletas nacionais. Outra boa parte deles está apenas a ver a transmissão na possibilidade de vislumbrar os seus familiares. E em vez de se aproveitar estes momentos preciosos para potenciar este desporto e se projetar o que temos de bom, a objetiva recai quase exclusivamente sobre atletas que 90% do público nunca mais vai ouvir falar.

Depois da partida, houve apenas uma oportunidade de ver a elite portuguesa feminina. Quando a frente masculina as ultrapassou. Não fosse isto acontecer e nenhum atleta português de nível teria sido avistado. Muito mau.

De facto, os únicos portugueses que tiveram destaque foram os sorteados que vinham na retaguarda do pelotão, a par dos vencedores da Mini Maratona Vodafone.

 

A presença do recordista do mundo – Zersenay Tadese

A reputação e o percurso rápido da prova contribuíram, mais uma vez, para uma forte presença africana na prova. Muitos atletas de elite mesmo. Entre os quais, destaque para Zerzenay Tadese (Eritreia), detentor do recorde mundial da meia-maratona (58min23seg). Um recorde alcançado nesta prova e que, surpreendentemente, já dura desde o ano 2010.

Desta vez, Tadese não foi o vencedor. Esse foi Erick Kiptanui (01h00m05s), do Quénia. Um atleta que não estaria no lote dos maiores dos candidatos antes da partida. Mas nestas provas longas é mesmo assim. Existe sempre boa possibilidade de surpresas quando os “comboios” da frente são grandes. Foi o caso. Um vasto pelotão de elite internacional. Até deu para dois desses atletas quase se pegarem ao murro. Uma situação também inesperada.

No panorama feminino, vitória para Etagegne Woldu, atleta queniana que concluiu a prova em 01h11m27s.

 

Outros erros de transmissão

Assinaláveis? Dois. Nomeadamente na prova feminina.

O primeiro foi a meias com a organização da prova. Quando Etagegne Woldu cortou a meta, o contador lá instalado apresentava o cronómetro da prova dos homens. Não sei se a organização esperava ver o primeiro homem chegar antes da primeira mulher. Certo é que ali devia estar o tempo da prova feminina. Os comentadores não perceberam que se tratava de uma troca e disseram não saber que tempo era aquele.

O segundo foi colocar Mónica Silva (01h16m58s) como décima classificada, numa primeira apresentação da classificação feminina. Pouco depois, quem estava lá era Filomena Costa (01h16m43s). Sinceramente, não percebi esta gralha. Para terem os registos de ambas, os chips devem ter funcionado corretamente desde início.

 

Sprint Final

Ainda na semana passada, a RTP acompanhou na íntegra os Campeonatos Mundiais de Pista Coberta. A meu ver, tudo decorreu suavemente. Não me lembro sinceramente de alguma coisa relevante a que lhe possa apontar o dedo.

Já nesta 28ª Meia Maratona de Lisboa, fiquei francamente desapontado com aquilo que vi. Em causa está uma transmissão nacional. Um dos objetivos principais deve ser mostrar os nossos melhores atletas. Mostrar o que o Atletismo tem de interessante e atrativo. Despertar no espectador o gosto por este desporto. Seja para o continuar a acompanhar, ou mesmo para exercer a prática.

De volta ao caso dos atletas da elite nacional. Isto é importante para os motivar. Para que deem continuidade ao equilíbrio das suas vidas profissionais e pessoais com o atletismo de alto nível. Uma tarefa nada fácil em vários momentos da vida. Desistências e abandonos só vão comprometer ainda mais a competitividade cá dentro.

No próximo domingo, a RTP vai transmitir o Campeonato Nacional de Corta Mato Longo. Este ano não vou participar. Todavia, à imagem desta prova, cá estarei também para dar a minha opinião.

 

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