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queixa IAAF Nike Vaporfly NEXT

Vaporfly NEXT% e um atestado de incompetência

A recente queixa apresentada por um grupo de atletas de elite à IAAF sobre as Nike ZoomX Vaporfly NEXT% parece-me, no mínimo, ridícula. Os atletas alegam que as sapatilhas estão a conceder uma “vantagem injusta” aos seus adversários, o que por outras palavras pode ser interpretado como uma acusação de doping tecnológico. A IAAF já está a investigar o caso, a Nike a esfregar as mãos com mais publicidade, e eu, com a minha vontade de opinar sobre o caso, reforço um marketing indesejado de forma consciente.

Antes de prosseguir, realço que sou fã e utilizador de sapatilhas Adidas. Nunca competi no atletismo com sapatilhas Nike, o que faz desta uma opinião isenta de qualquer suspeita. Siga para o que interessa, poupando nas palavras para poupar na publicidade.

 

Um atestado de incompetência?!

Na minha sincera opinião, estas acusações dos atletas de elite sobre o mais recente modelo da Nike significa, de forma indireta, a passagem de um atestado de incompetência às marcas que os apoiam. No fundo, o que estão a dizer é que não podem correr com sapatilhas tão boas quanto a dos seus adversários e que estão em desvantagem. Tudo indica que sim, mas este será o resultado de uma evolução tradicional e controlada. Não é este o trabalho das marcas? Progredir com os seus modelos para andarem à frente da concorrência?

Se assim não fosse o mercado estagnava. É normal as oscilações ao longo dos anos, com umas marcas a estarem na “mó de cima” em certa altura, depois na “mó de baixo”, num ciclo sem fim. Portanto, compete agora à Adidas, Asics (parece que já tem resposta para breve!) e companhia recuperarem a distância para a rival e apresentarem modelos concorrentes em breve. Um trabalho a ser desenvolvido em conjunto com os atletas que as representam.

 

A famosa placa de fibra de carbono

Esta opinião que defendo resulta da pesquisa que fiz sobre este modelo, a fim de tentar perceber os benefícios da famosa placa de fibra de carbono. De facto, parece proliferar a ideia de que este material, devido à combinação de vários fatores, é capaz de aumentar a eficiência de corrida em 1%, o que numa maratona pode ser significativo. Eu acredito que assim seja. Contudo, não me parece ser exagerado ao ponto de ser considerado doping tecnológico, olhando ao que temos nos dias de hoje. Acredito até que, noutros tempos, outros modelos tenham trazido ganhos semelhantes. Não devemos também esquecer que outras marcas já têm sapatilhas com este material.

Resumindo, este parece-me ser um resultado de uma evolução controlada. As sapatilhas com placa de fibra de carbono não têm rodas ou algo que se pareça. No caso das Nike, é verdade que têm ali dois círculos que parecem umas ventoinhas, mas a não ser que sejam para levantar voo, parece-me tudo aceitável.

 

Reavaliação das marcas mundiais?

Além de não encontrar razão na queixa destes atletas, não vejo a IAAF a ir fazer uma verificação prova a prova e a anular os registos dos vencedores e de todos os que utilizaram estas sapatilhas para ganhar provas, alcançar boas classificações, recordes pessoais, etc.

A única solução em favor dos atletas queixosos que identifico seria uma legislação mais concreta sobre as sapatilhas de corrida, o que não me parece muito viável. Isso implicaria traçar uma linha que já devia ter sido desenhada antes. Ou então todos os atletas teriam que correr descalços ou com o mesmo modelo, o que também não será exequível. Em causa estariam também os recordes mundiais, mas esta foi sempre a vantagem de quem vem depois. Além de poder beneficiar de evolução genética, beneficia de melhores equipamentos, melhores pistas, melhores estradas, alimentação refinada, entre outros pormenores.

Por falar em igualdade, esta última observação sugere algo que podia ser extremamente interessante do ponto de vista do adepto e do atleta. Isto é, simular provas com algumas condições de outrora, nomeadamente sapatilhas da época, para ver como se comportavam os atletas dos tempos modernos. Seria uma comparação mais justa com os registos de outrora.

 

Soluções para os atletas queixosos?

Se estes atletas estão descontentes e acreditam seriamente no que estão a reclamar, a meu ver só têm duas escolhas. No caso da resposta da IAAF ser negativa, ou esperam que a sua marca lhes apresente um modelo competitivo, ou esperam pelo término do contrato e depois correm a nível individual com umas Nike ZoomX Vaporfly NEXT% para lucrarem com esses resultados e mostrar o seu verdadeiro valor numa disputa equilibrada e justa.

Pode ainda falar-se no facto das sapatilhas com este material já ocuparem várias posições nos TOPs das melhores marcas mundiais. Todavia, também isso é muito relativo. Tudo depende do número de atletas, e da qualidade dos mesmos, em que cada marca aposta. Se for como na pista, e acredito que sim, a Nike deverá dominar os números, o que automaticamente também lhe confere mais oportunidades de andar no topo dos rankings.

Já o caso do Kipchoge, nem se deve ousar beliscar, pois trata-se de um atleta que venceu 12 de 11 maratonas, parte delas sem esta tecnologia moderna.

 

Ondas de marketing que absorvem os protagonistas

Por falar em Eliud Kipchoge, toda esta situação despoletada pela concorrência da Nike só vem reforçar o meu desagrado com projetos como o INEOS 1:59 Challenge e seus semelhantes. Porque continuo convicto que os resultados e os efeitos do evento incidem muito mais sobre o equipamento e tecnologia alvo do que no atleta meritório, ao mesmo tempo que não beneficiam em nada o atletismo clássico.

Fica difícil não ver este copo como “meio vazio” quando esta queixa da concorrência vira ainda mais as atenções para as Nike ZoomX Vaporfly NEXT% e menos para Kipchoge. Continuo também a acreditar que Kipchoge, com o mediatismo que já tinha, seria capaz de transmitir de outra forma a sua mensagem bela e positiva à sociedade consumista dos nossos tempos.

 

Foto de Capa do Artigo: REVOLT em Unsplash

 

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