A Super Bock é mais importante que a Rosa Mota?!

Pavilhão Rosa Mota Super Bock Polémica

Quando esta manhã soube da mudança de nome do Pavilhão Rosa Mota, situado nos jardins do Palácio de Cristal, para “Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota“, logo me lembrei das palavras do Presidente da República, proferidas há menos de um mês atrás. Em reunião com a atleta e um grupo de jovens, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou: “A Rosa Mota é mais importante do que todos os governos ou presidentes de Portugal“. Um tom exagerado, aliás, prontamente negado pela atleta, mas que ao estilo de Marcelo deixava bem claro que Rosa Mota foi e continua a ser um dos maiores símbolos de Portugal.

Numa altura em que ainda estava a processar a notícia e a equacionar um artigo neste espaço sobre o assunto, ouvir Pedro Tadeu na rádio TSF a juntar as peças foi um incentivo extra para esta minha indignação. Realmente, se o Presidente da República diz que a Rosa Mota é mais importante que qualquer governo ou presidente de Portugal e a Super Bock aparece à frente da Rosa Mota no novo nome do pavilhão, então a Super Bock é o que há de mais importante deste país! Qual é a dúvida?

A notícia refere que o acordado era aparecer primeiro o nome da atleta e só depois o da marca, não o contrário. Não quero entrar por aí, porque sinceramente acho que nenhuma das possibilidades deveria estar em cima da mesa, por mais que a marca de cerveja tenha sido a responsável pela reparação do pavilhão.

Ora, não estando por dentro dos meandros deste processo ou de qualquer outro do género, simplesmente sinto-me triste e indignado com estas estratégias de ativação das marcas que são colocadas ao lado de personalidades como a da Rosa Mota. Não se trata da marca em questão. Se fosse uma marca ligada ao desporto, ou a outra área qualquer, não deixaria de ser ridículo. Os maiores responsáveis são aqueles que aceitam este tipo de propostas, sendo este um exemplo claro da facilidade com que se vende a “alma de um país”.

Nas declarações em sua defesa, a Câmara Municipal do Porto afirma que o pavilhão estava em pré-ruína, praticamente inutilizado, e que a sua reparação foi apenas possível graças ao financiamento dos privados. Tudo muito bem, mas não creio que isto mude o cenário de forma alguma. Se eu fosse a Rosa Mota e tivesse um pavilhão na minha cidade com o meu nome, encarava aquilo como uma forma de reconhecimento por aquilo que alcancei em representação de Portugal. Não creio que a Rosa Mota tenha pedido um pavilhão em seu nome ou pago para o ter. Se a Rosa Mota é património vivo do nosso país e aquele pavilhão é uma das constatações materiais disso mesmo, será responsabilidade da autarquia que o tem sobre a sua alçada de o preservar e de prolongar essa homenagem pela eternidade. Caso contrário, que raio de reconhecimento é esse? Pelo menos eu penso assim …

 

Foto de Capa do Artigo: Save the Dream

 

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.

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