Deves correr a meia-maratona em negative split? Eu devo!

correr meia maratona negative split

Há alguns meses atrás, tive a curiosidade de analisar as minhas provas de 10K e respectivas passagens em pontos cronometrados. Na altura, estava quase convencido de que as corria em negative split, o que não se comprovou. Nessa mesma altura, reuni a mesma informação para a distância da meia-maratona, precisamente com este artigo em mente. Depois da surpresa nos 10K, o que será que indicam as minhas prestações nas provas de 21 095 metros?

 

Presença do negative split em provas para recorde pessoal

Antes de listar os resultados, três notas importantes sobre a tabela seguinte (tabela 1):

  1. Os cálculos que efectuei para obter os ritmos médios da primeira e segunda parte de cada uma das provas foram com base nos registos do meu relógio Garmin Forerunner 250. Esta foi a fonte que utilizei para este trabalho e não os tempos oficiais das provas. Existe sempre uma ligeira diferença entre ambos.
  2. Para facilitar os cálculos e a respectiva interpretação da tabela que se segue, não dividi a prova em duas partes exactamente iguais (tecnicamente seria até impossível). Em vez disso, considerei os primeiros 11 quilómetros como a primeira metade, e os 10K seguintes como a segunda metade da distância. Optei por retirar as minudências finais para não colocar cerca de 100 metros a interferir com a média geral da segunda metade. Assim, o que fiz em cada uma das partes foi calcular o ritmo médio com base no número exacto de quilómetros percorridos. Apesar destes ajustes, os dados parecem-me mais do que válidos para deduzir se corri as provas em negative split, ou pelo menos para determinar o progresso do meu desempenho.
  3. Em todas as provas aqui apresentadas, eu tinha a mínima esperança de bater o meu recorde pessoal (RP) quando me apresentei na linha de partida. Ao mesmo tempo, para facilitar as comparações em termos de percursos, utilizei as provas onde tenho várias participações. Nota para a última edição da Meia Maratona de Ovar que teve um percurso diferente dos anos anteriores.

 

DataProva1ª Parte
(Partida - 11K)
[Ritmo Médio /km]
2ª Parte
(11K - 20K)
[Ritmo Médio /km]
Recorde Pessoal?
02-10-201628ª Meia Maratona
"Cidade de Ovar"
03:37,2703:35,42Sim
08-10-201729ª Meia Maratona
"Cidade de Ovar"
03:35,1103,40,00Não
10-06-20185ª Meia-Maratona
D'Ouro Run (Gondomar)
03:32,0503:34,24Sim
13-10-201931ª Meia Maratona
"Cidade de Ovar"
03:33,0503:30,54Sim
22-01-2017XIX Meia Maratona Manuela Machado
(Viana do Castelo)
03:35,3303:38,36Não
20-01-2019XXI Meia Maratona Manuela Machado
(Viana do Castelo)
03:33,1103:45,30Não
19-01-2020XXII Meia Maratona Manuela Machado
(Viana do Castelo)
03:28,5503:23,48Sim
Tabela 1: Presença do negative split em provas para recorde pessoal

 

Conclusões

Como dá para perceber, as provas assinaladas a verde foram corridas em negative split. Embora a amostra de provas seja relativamente pequena, é um que facto que uma segunda parte de prova mais rápida resultou SEMPRE em recorde pessoal na distância. Mas atenção! Aquele caso de recorde pessoal (5ª Meia Maratona Douro Run) em positive-split não deve passar despercebido. Além destes dados, podia incluir aqui mais 3 ou 4 provas com a mesma distância e comparar as passagens. Não o faço, por um de dois motivos:

  • A dificuldade do percurso na primeira e na segunda parte são bastante diferentes;
  • Nelas não tinha o objectivo do recorde pessoal na minha cabeça. Isto parece irrelevante, porém, na maioria das vezes, esta despreocupação esconde um menor repouso, juntamente com a ausência do nosso melhor momento de forma (ou tentativa de estar nesse ponto) nesse dia.

Ao mesmo tempo, estes dados sobre as meias-maratonas reforçam a boa gestão das minhas energias nas provas, indiciadas já nos eventos de 10K. As diferenças entre as duas metades dos percursos não são muito grandes, salvo o estouro que levei em Viana do Castelo no ano 2019. Encaro-o como a excepção à regra.

Posto isto, quando as provas regressarem, terei mais consciência da importância do auto-controlo na primeira parte de uma meia-maratona, caso me passe pela cabeça um novo recorde pessoal. Por outras palavras, continuar a dar ouvidos às sensações e resistir à tentação de ir com este ou com aquele atleta/grupo quando sentir que é uma má ideia. Mas esta é uma estratégia que até pode resultar convosco. Como descobrir? Têm que ir à luta!

Em suma e para esclarecer qualquer dúvida: embora este artigo reforce a teoria do negative split, isso deve ser encarado como uma mensagem para mim e não para a comunidade em geral. Para esta última este é apenas um dado que vale tanto como o de qualquer outro atleta. Como tal, creio que o melhor que cada um pode levar deste texto é a ideia da análise que aqui foi feita, com vista a aplicá-la às suas prestações e, mediante os resultados obtidos, tentar extrair a melhor estratégia para cada situação e distância de prova.

Quanto a mim, quando tiver um histórico maior, quem sabe se não volto a repetir este trabalho. Boas corridas 🙂

 

Nota: O autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.

Foto Imagem de Capa: Thomas Dils no Unsplash

 

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Renato Sousa

Ligado ao desporto desde pequeno, deixei definitivamente o futebol em 2016 para me dedicar afincadamente ao atletismo. Desde aí que muita coisa mudou na minha vida, a qual não imagino sem o desporto. O Vida de Maratonista nasce então da minha paixão pelo atletismo, com contribuição especial da minha Licenciatura em Engenharia Informática, que me permitiu criar a solo este espaço de aventura e opinião, e torná-lo agradável a quem o visita.

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